ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Documento da CIA é assunto para historiadores, diz ministro

Para general Joaquim Silva (Defesa), denúncias de execuções de opositores ao regime militar é tema que se esgota na Lei da Anistia

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 05h00

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, minimizou nesta quinta-feira, 17, a divulgação do conteúdo de memorando no qual o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos afirma que o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) deu endosso a uma política de “execução sumária” de opositores do regime militar no Brasil. Questionado sobre qual seria o procedimento do ministério após a divulgação do documento, Luna disse que este assunto se “esgotou” na Lei de Anistia e é apenas uma questão para “historiadores”.

“Para o Ministério da Defesa, esse tema se esgota na Lei da Anistia. A partir daí, é uma atividade para historiadores e, se tiver demanda, para a Justiça. Com a Lei da Anistia, do ponto de vista militar, este assunto está encerrado”, disse. 

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Nesta semana, em visita à China, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, confirmou ao Estado que vai requisitar os documentos “que ainda não foram publicados”. A medida atende a um pedido do presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog. Na sexta-feira, 11, ele solicitou ajuda do Itamaraty para obter do governo norte-americano “a liberação completa dos registros”.

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A iniciativa do governo brasileiro se segue à revelação feita na semana passada pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Matias Spektor sobre um registro da CIA, de 1974. A informação estava em um documento desclassificado pelo Departamento de Estado dos EUA em 2015. Outro memorando, de 11 de fevereiro de 1971, escrito pelo assessor do Conselho de Segurança Nacional dos EUA Arnold Nachmanoff, e divulgado pelo Estado, mostra que o governo americano acreditava que o presidente brasileiro Emilio Garrastazu Médici “devia ter consciência da extensão da violência usada pelas forças de segurança brasileiras”. “E, talvez, dado consentimento tácito em vez de enfrentar os elementos da linha dura nas Forças Armadas.”

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Reação. Após a divulgação dos documentos, o presidente Michel Temer questionou a veracidade das informações. “Nem tudo o que a CIA diz é necessariamente verdade, é uma verdade absoluta.” Temer disse ainda que, pela sua própria experiência, sabe que “presidentes não conseguem acompanhar tudo o que acontece lá embaixo, no governo”. E indagou: “Será mesmo que o general Geisel saberia disso, teria autorizado isso?” O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que o episódio não afeta o prestígio das Forças Armadas. 

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