Documentário conta a história do jornal <i>O Pasquim</i>

A TV Câmara exibe neste sábado, às 16 horas, um documentário sobre o jornal "O Pasquim" que, com sua irreverência, humor e anarquia, deu uma nova roupagem e revolucionou a linguagem da imprensa brasileira, durante os anos 1970. No documentário, intitulado "O Pasquim, a subversão do humor", é lembrado que o tablóide surgiu com o propósito de ser independente, justamente em 1969, ano do AI-5, de seqüestros políticos, prisões, desaparecimentos e quando os compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil embarcaram para Londres com as cabeças raspadas pelos militares. No auge, "O Pasquim" chegou a vender 250 mil exemplares. O documentário será repetido no domingo à 1h30 e às 5h30 e na segunda às 22h33. No programa, Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral, Luiz Carlos Maciel, Marta Alencar, Miguel Paiva, Claudius, Sérgio Augusto, Reinaldo e Hubert (estes dois últimos da turma da Casseta&Planeta) lembram como foi o surgimento do jornal. Angeli, Chico Caruso, Washington Olivetto e Zélio mostram como "O Pasquim" foi determinante para o futuro do jornalismo, das revistas, das charges e da publicidade. No mesmo documentário, são destacadas frases que ficaram famosas pelo atrevimento em tempos tão complicados, como estas: "Em terra de cego, quem tem um olho emigra"; "O importante não é vencer, é sair vivo"; "Quem é vivo sempre desaparece", e "Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados". Jaguar, que na época era só cartunista, foi quem sugeriu o nome "O Pasquim", que tem origem no italiano "paschino", que quer dizer jornal ou panfleto difamador. Luiz Carlos Maciel relata que não gostou da sugestão, mas foi obrigado a aceitá-la. No seu depoimento, Ziraldo diz que Millôr Fernandes aceitou escrever para o novo jornal, mas pôs em sua dúvida a sua proposta de ser independente. Miguel Paiva, que desenha o personagem de sucesso "Gatão da meia idade", conta que o projeto era o de um jornal de humor, que mostrasse o avesso das coisas. A jornalista Marta Alencar, que foi secretária de redação de "O Pasquim", relembra que vivia no meio de uma turma muito machista e que, para ser respeitada, tinha de fumar charuto, falar palavrão e cuspir no chão. Sérgio Cabral conta que na entrevista com Antonio Houaiss havia tanto uísque que Vinícius de Moraes tomou um grande porre. Sérgio Augusto fala de uma das passagens mais curiosas da vida do tablóide: o general Juarez, pai de Helô Pinheiro, a "garota de Ipanema" de Vinícius e Tom Jobim, era o censor do jornal. "O general dizia: ´Você tem certeza de que não tem nenhuma sacanagem aí?´. ´Não, general´. ´Então tá bom´, respondia". Sérgio Augusto conta ainda que os textos de Paulo Francis, que chegavam de avião, eram lidos na praia pelo general. "Depois, ele ia à redação entregá-los, de sunga".

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