Doadores devem engordar caixa de Aécio

Com entrada de Marina na disputa pela Presidência, expectativa entre os financiadores é de que candidato tucano receba mais

IURI DANTAS, FÁBIO BRANDT, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2014 | 02h01

Substituta de Eduardo Campos no posto de candidata do partido à Presidência da República pelo PSB, a ex-ministra Marina Silva tende a atrair mais eleitores para a legenda, mas não deve melhorar a arrecadação de dinheiro para a campanha que tenta se viabilizar como terceira via.

Segundo empresários e líderes de entidades patronais ouvidos pelo Estado, o fluxo de doações que iria para o PSB com a candidatura de Campos - morto em um acidente aéreo na quarta-feira passada - deve agora seguir para o caixa do candidato do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves. Esse cenário, porém, não está congelado. Muitos empresários aguardam as primeiras pesquisas de intenção de voto com a nova configuração da corrida presidencial antes de definir a estratégia corporativa no período eleitoral.

Nos bastidores, empresários relataram ao Estado que Marina, apesar de não ser a preferida do mercado, não gera a mesma desconfiança que, por exemplo, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva provocava em 2002. Na ocasião, as chances reais de vitória do petista causaram turbulências no mercado e ele divulgou a Carta ao Povo Brasileiro, prometendo honrar contratos e manter as bases da política econômica que estabilizaram a economia brasileira na década de 1990.

Marina não deve arrecadar tanto, mas não deve ser ignorada. Isso porque parte dos empresários vê sua candidatura como central para que a presidente Dilma Rousseff, que desagrada o mercado, não vença a disputa ao Planalto já no 1.º turno.

Muitos empresários ainda identificam a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula com exigências mais duras para o licenciamento de grandes empreendimentos de infraestrutura, como usinas hidrelétricas na Amazônia. Para dispersar resistências, após confirmar sua participação na chapa de Campos, Marina adotou um discurso em defesa do chamado tripé macroeconômico - câmbio flutuante, metas de inflação e metas fiscais de economia para pagamento dos juros da dívida. Seu guru econômico e Eduardo Giannetti, defensor desse modelo de gestão.

Outra posição de Marina coincide com a dos empresários: o fim do represamento dos preços de combustíveis.

Marina e seu grupo defendem um aumento da gasolina para forçar uma mudança na decisão do consumidor que hoje não vê vantagem no etanol. Os empresários, por sua vez, querem maior liberdade de ação das empresas, com possibilidade de fixarem preços - seja de seus produtos ou de tarifas cobradas em concessões públicas.

Fraco. "Doação não estava sendo nosso forte nem com o Eduardo. Então essa não é nossa preocupação", disse o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (RS), sobre a possibilidade de o partido perder doações com a entrada de Marina Silva na cabeça de chapa.

Para ele, o discurso ambientalista da ex-ministra não vai atrapalhar a relação do PSB com os doadores. "Tem muito empresário brasileiro que quer mudar o Brasil. Quem tem medo de discutir a sustentabilidade pode errar o seu futuro. Sustentabilidade é uma exigência do mundo moderno, do mundo consumidor. Logo o mundo inteiro só vai comer carne sabendo onde é que o boi bebeu a água, que pasto tinha, se a fazenda tinha emprego regular ou não", afirmou.

O cenário macroeconômico e mudanças institucionais devem contribuir para um menor empenho das empresas em fazer doações milionárias. O Supremo Tribunal Federal deve julgar em breve a constitucionalidade de doações de empresas e o Tribunal Superior Eleitoral vem tentando aprimorar a transparência sobre as contribuições.

Além disso, a economia não está em sua melhor forma. Segundo o Banco Central, o PIB pode ter apresentado uma retração no segundo trimestre deste ano. Com menor crescimento, as empresas têm menos receita e isso também afeta as doações.

Na primeira parcial divulgada pela Justiça Eleitoral, Aécio já foi o que mais arrecadou (R$ 10,9 milhões). Dilma foi a segunda (R$ 10,1 milhões) e Campos, o terceiro (R$ 8,2 milhões).

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