Doações sob suspeita nesta eleição já chegam a R$ 313 milhões

Maior parte das suspeitas recai sobre doações realizadas por indivíduos com falta de capacidade econômica e de sócios de empresas que receberam recursos públicos e fizeram doações robustas

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2016 | 21h15

BRASÍLIA - Enquanto parlamentares articulam a volta do financiamento empresarial de campanha, levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou indícios de irregularidade que já somam R$ 313,3 milhões nas doações feitas por pessoas físicas nestas eleições. O valor diz respeito a doações feitas até 12 de setembro, conforme novo levantamento elaborado por técnicos dos dois órgãos - no primeiro relatório, o volume sob suspeita chegava a R$ 266 milhões.

A maior parte das suspeitas recai sobre doações realizadas por indivíduos com falta de capacidade econômica (R$ 140 milhões) e de sócios de empresas que receberam recursos públicos e fizeram doações robustas (R$ 118,9 milhões).

De um levantamento para outro, o número identificado de beneficiários do Bolsa Família que decidiram contribuir para as campanhas municipais mais que dobrou: saltou de 4.630 para 10.341 casos (aumento de 123,3%). No que se refere às doações nessas circunstâncias, o volume sob suspeita subiu de R$ 4,2 milhões para R$ 9,1 milhões (+118,1%).

Em um dos casos que mais chamaram a atenção dos técnicos até agora está o de uma mulher que teria doado um veículo no valor de R$ 1,2 milhão para a campanha do marido, que concorre a vereador em Vila Propício (GO).

A legislação eleitoral determina que a doação de pessoas físicas é limitada a 10% dos rendimentos brutos conforme declaração do imposto de renda do doador referente ao ano anterior à eleição.

As doações de empresas para as campanhas eleitorais não é mais permitida, mas conforme o Estado informou nesta segunda-feira, senadores e deputados querem retomar o financiamento empresarial por meio de uma proposta de emenda à constituição.

Em Joinville (SC), um candidato a prefeito que é proprietário de uma empresa doou R$ 600 mil para ele mesmo. Técnicos que acompanham as doações ficaram intrigados com o fato de dois diretores administrativos da mesma empresa terem feitas doações expressivas - nos valores de R$ 150 mil e R$ 88 mil - para o patrão.

Parentes 

O novo levantamento também identificou 2.444 casos de doações envolvendo empresas fornecedoras com parentes de candidatos, que somam R$ 6,8 milhões, ante R$ 3 milhões do primeiro relatório. Já as doações feitas por doadores supostamente mortos saltaram de 34 para 64, alcançando a cifra de R$ 103 mil.

O número de casos envolvendo empresas com indícios de falta de capacidade operacional subiu de 89 para 182, alcançando R$ 1,675 milhões.

Comparando os dois levantamentos, houve queda na cessão temporária de veículos realizada por doador que não é proprietário do veículo. O número de casos desse tipo sob suspeita caiu de 3.456 para 2.229, somando R$ 3,9 milhões. Segundo o Estado apurou, a redução pode ser explicada pelo fato de candidatos e partidos terem o direito de retificarem suas prestações de campanha, corrigindo possíveis equívocos.

As informações coletadas até agora estão sendo repassadas ao Ministério Público Eleitoral e aos juízes eleitorais. As candidaturas podem eventualmente ser impugnadas em caso de confirmação dos indícios de irregularidades. 

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