Doações a petistas foram concentradas no primeiro turno

Do total de R$ 148 milhões recebidos, R$ 105 milhões entraram até 3 de outubro

Mariângela Gallucci / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2010 | 21h47

Na expectativa de que Dilma Rousseff seria eleita no primeiro turno, os doadores de recursos para sua campanha repassaram antes da eleição o maior volume de verbas para sua campanha. Conforme a prestação de contas entregue na terça-feira, 30, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comitê de campanha petista conseguiu, durante todo o período eleitoral, R$ 148,8 milhões.

 

Mas no período de julho até 3 de outubro, quando ocorreu o primeiro turno, a equipe financeira que administrava sua campanha eleitoral já tinha recebido um total de doações que chegava aos R$ 96 milhões.

 

Somadas as doações recebidas por Dilma, os repasses até 3 de outubro totalizaram R$ 105 milhões. O mês de maior arrecadação foi setembro, segundo o tesoureiro da campanha, o deputado federal eleito José de Filippi (PT). Somente nesse mês as contribuições que chegaram aos cofres petistas somavam R$ 55 milhões.

 

Ao longo de setembro, e até a véspera da votação de primeiro turno, praticamente todas as pesquisas de intenção de voto indicavam que a petista poderia conquistar já no dia 3 de outubro Dilma poderia receber mais da metade dos votos válidos – e portanto não seria obrigada a disputar o segundo turno. O cálculo não se confirmou, no entanto: ela obteve 46,91% dos votos válidos e teve de fazer mais quatro semanas de campanha para enfrentar o tucano José Serra no final do mês.

 

Nesse período, entre 4 e 30 de outubro, o comitê financeiro da candidata recebeu R$ 20,7 milhões em doações. Depois disso, o comitê arrecadou R$ 20,9 milhões – ou seja, a maior parte das contribuições de fato se concentrou antes do primeiro turno.

 

Maiores doadores. Entre os que repassaram dinheiro antes de 3 de outubro figuram nomes conhecidos, de grandes doadores ou empresas. Entre eles estão o empresário Eike Batista e o frigorífico JBS-Friboi – este, o maior doador da campanha petista, e que recebeu um empréstimo de cerca de R$ 3,5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Seguem-se as empresas Camargo Corrêa, Votorantim, Galvão Engenharia, OAS, Serveng Civilsan, Votorantim, Embraer, Coopersucar e Gerdau – todas com doações feitas antes do primeiro turno.

 

Há uma particularidade na contribuição do grupo Gerdau: a doação para Dilma foi de R$ 1,5 milhão – e o dobro para seu rival José Serra: R$ 3 milhões. O presidente do grupo, Jorge Gerdau, vem sendo mencionado entre os possíveis nomes do ministério que3 vem sendo montado pela presidente eleita.

 

Em análise. Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal de Contas da União (TCU) analisam desde terça-feira a contabilidade da campanha da petista. É provável que eles peçam esclarecimentos à equipe responsável pela prestação de contas.

 

Um desses esclarecimentos poderá ser o relativo ao recebimento de 17 doações de R$ 13 cada uma, partidas de um doador identificado como "Não vote na Dilma". Esse doador forneceu um CPF que não existe. Mas como a doação foi feita por meio de cartão de crédito, o responsável poderá ser identificado se houver interesse.

 

Os técnicos também deverão analisar se foram recebidas doações de fontes vedadas, como sindicatos e concessionárias ou permissionárias de serviço público. Outro foco de atenção pode ser o limite máximo legal: investigar se alguma empresa doou mais do que 2% de seu faturamento, que é o máximo permitido pela legislação eleitoral.

 

Dívidas. Também deverá ser verificada a forma pela qual o PT se comprometeu a pagar a dívida da campanha de Dilma. De acordo com a prestação de contas apresentada ao TSE, a campanha terminou com um débito de R$ 27,7 milhões. O partido propôs liquidar essa conta em doze parcelas.

 

A análise das contas terá de ser feita num prazo de apenas 9 dias.Depois dela, os ministros do TSE terão de julgar o relatório apresentado. Ele tem de ser aprovadas para que Dilma receba o diploma que garantirá a sua posse no dia 1º. de janeiro. A cerimônia de diplomação está marcada para o dia 17 de dezembro.

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