Marcos Correa/Presidência da República
Marcos Correa/Presidência da República

Do 'tsunami' ao 'Brasil ingovernável': as polêmicas da semana de Bolsonaro

Após derrotas no Congresso e primeira grande manifestação, presidente admite dificuldades em governar, mas avisa que 'não vai ceder'

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 17h50

Em meio a derrotas sucessivas no Congresso Nacional e a primeira grande manifestação de rua contra o governo nesta semana, em 250 cidades, o presidente Jair Bolsonaro admitiu que tem dificuldades para governar. Na manhã desta sexta, distribuiu em grupos de WhatsApp um texto de “autor desconhecido” sobre pressões de todas as corporações, em todos os Poderes e afirma que o País “está disfuncional”, não por culpa de Bolsonaro, mas que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”. Segundo o texto, o Brasil está "ingovernável". 

Relembre, abaixo, algumas frases envolvendo o governo nos últimos dias: 

10 de maio - 'Tsunami na semana que vem' 

Na última sexta-feira, 10 de maio, o presidente Jair Bolsonaro disse que poderia enfrentar "um tsunami na semana que vem", mas não explicou o que poderia ser. 

15 de maio: Carlos Bolsonaro: 'O que está por vir pode derrubar o capitão eleito'

Dias depois, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, compartilhou um vídeo que discute os riscos de uma suposta ação do Congresso para tentar bloquear a votação da medida provisória 870, da reforma administrativa. 

"O que está por vir pode derrubar o capitão eleito", escreveu Carlos. No vídeo, intitulado 'Já está tudo engatilhado em Brasília para derrubar Bolsonaro', o influenciador Daniel Lopez argumenta que, com a volta dos 29 ministérios, o governo teria mais gastos, mas não teria como arcar com essas despesas. 

"Se eles conseguirem bloquear a votação da MP e ele voltar a ter mais ministérios, é muito provável que Bolsonaro não teria como arcar com o orçamento e cairia na responsabilidade fiscal, fazendo pedaladas fiscais, gastando dinheiro fora do orçamento", diz o youtuber. "É o que levou (a ex-presidente) Dilma (Rousseff, PT) ao impeachment".

15 de maio - 'Idiotas úteis'

No dia da primeira grande manifestação contra o governo, motivada pelo contingenciamento de gastos na Educação, o presidente chamou de “idiotas úteis” e “massa de manobra” os manifestantes que organizaram atos em 250 cidades.

16 de maio - 'Venham pra cima de mim'

O presidente disse na quinta que as investigações do Ministério Público do Rio que envolvem seu filho Flávio Bolsonaro têm por objetivo atingi-lo e em tom desafiador, afirmou que Flávio, senador pelo PSL-RJ, é alvo de “esculacho”. “Querem me atingir? Venham pra cima de mim. Querem quebrar meu sigilo, eu sei que tem de ter um fato, mas eu abro o meu sigilo. Não vão me pegar”, disse Bolsonaro durante viagem oficial a Dallas, nos Estados Unidos.

16 de maio - 'Querem que eu sofra impeachment?' 

Após as manifestações, ainda em Dallas, Bolsonaro disse que não é ele quem decide os cortes, e sugeriu que poderia sofrer um impeachment caso gaste mais do que pode. “Quem decide corte não sou eu. Ou querem que eu responda a um processo de impeachment no ano que vem por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, por não ter previsto que a receita foi menor do que a despesa?”

O presidente disse também que não iria “ceder” para ter “governabilidade”. “Querem que eu me adeque (sic) pela tal governabilidade? Não vou ceder a pressão nenhuma. É isso que querem? Um presidente vaselina para agradar a todo mundo? Não vai ser eu. O que vai acontecer comigo? O povo que decida, o Parlamento decida, eu vou fazer minha parte. Eu não vou sucumbir.” 

17 de maio - 'Brasil ingovernável'

O presidente também distribuiu em diversos grupos de WhatsApp um texto de “autor desconhecido” que trata das dificuldades que ele estaria enfrentando para governar. A mensagem afirma que o presidente está sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os Poderes e diz que o País “está disfuncional”, não por culpa de Bolsonaro, mas que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”.

"Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável. Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos", diz trecho do texto

17 de maio - 'Desagradando o sistema'

Nesta sexta, o presidente escreveu ainda em seu Facebook que suas ações estão "desagradando o sistema". "André Mendonça, um dos nossos 22 ministros, defende, no Supremo Tribunal Federal, os interesses de todos nós contribuintes. Por 8x2 votos fomos vitoriosos no STF e deixamos de pagar R$ 2,5 bilhões para os poderosos. Continuamos desagradando o Sistema", escreveu. 

 

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