DNA revela ancestralidade africana desconhecida por cearense

Gillberto Leite da Silva fez exames de DNA a convite da BBC Brasil.

Carolina Glycerio, BBC

23 de agosto de 2007 | 08h32

O cearense Gilberto Leite da Silva, de 44 anos, se surpreendeu ao saber que era 56% ameríndio, mas ficou especialmente intrigado para descobrir de onde vieram os 18,6% da ancestralidade africana.Os resultados, que indicam ainda que ele é 23,1% europeu, são estimativas feitas com base nos exames de DNA que Gilberto fez a convite da BBC Brasil, depois de ter tido a sua história escolhida na promoção "Descubra os seus ancestrais"."A minha grande busca agora vai ser dessa origem negra, de onde veio, quem são essas pessoas que eu não conheço. Isso está me causando um certo frisson", disse o leitor, que é funcionário público em Fortaleza e pai de dois filhos."Eu sabia que tinha essas características, mas não tem nenhum histórico na família que me mostre: esse seu tio é negro ou essa sua tia é negra. Vou atrás disso."Por outro lado, Gilberto sabia que a origem ameríndia seria forte por causa da história do pai."Ele nasceu em Caponga, que é uma praia que fica distante de Fortaleza uns 60 quilômetros. É quase uma tribo indígena mesmo, de pescador, aquela coisa bem restrita, que teve acesso a estrada na década de 70. Até então, eles eram totalmente isolados".Ainda assim, Gilberto não se via "tão índio". "Pensei que os percentuais fossem ser mais próximos uns dos outros, mais homogêneos. Mas deu de ameríndio um percentual bastante elevado."Com seis irmãos, Gilberto conta que cresceu com a diversidade da população brasileira dentro de casa."São cinco mulheres e dois homens com características totalmente diferentes. Tem brancos, tem mais morenos, que é o meu caso, tem um pouco mais morenos do que eu.""Nós crescemos com essas diferenças e características, que eu acho que são bem marcantes dessa mistura que é o povo brasileiro, que fica bem delineado, bem caracterizado na nossa família."O cearense atribui o desconhecimento das suas origens africanas em parte ao que chama de "exclusão" do negro no Nordeste e no seu próprio Estado."Nenhuma família admite origem africana, ninguém faz menção a isso", disse.Gilberto diz que quer aproveitar as revelações da genética para resgatar as suas raízes africanas e indígenas."Existe um foco muito grande no que diz respeito à Europa e esquecemos um pouco da questão indígena, da questão africana. Com esse resultado (de DNA) você olha com mais carinho para essa sua outra vertente. Acrescenta muito, enriquece ainda mais o nosso perfil, a nossa história."Ele se surpreendeu também ao saber o resultado do exame da sua linhagem materna, que indicou o haplogrupo (conjunto de seqüências genéticas) C1, de origem ameríndia."Eu achei que isso viria da herança genética do meu pai, e não da minha mãe."Já o exame da ancestralidade paterna indicou o haplogrupo europeu J2, típico da Península Ibérica - como o cearense já imaginava por conta do sobrenome Leite e Silva, que é muito comum entre os chamados cristãos novos - outra novidade para Gilberto."Eu não tinha a menor noção de que poderia ter essa origem dos cristãos novos."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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