Divisão regional dá o tom da eleição

Pesquisa Ibope/Estado/TV Globo revela um País dividido em termos geográficos

Daniel Bramatti,

06 de junho de 2010 | 13h23

A pesquisa Ibope/Estado/TV Globo revela um País dividido em termos geográficos: o tucano José Serra lidera a corrida presidencial nas Regiões Sul e Sudeste, enquanto a petista Dilma Rousseff está à frente no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste.

 

Os números também mostram uma divisão social: a petista colhe seus melhores resultados entre os mais pobres (11 pontos porcentuais de vantagem entre quem ganha até um salário mínimo), enquanto o tucano tem desempenho melhor na faixa mais alta de renda (9 pontos de folga entre os que recebem mais de cinco salários).

 

Mas a influência regional se sobrepõe à das classes sociais. No Sul e no Sudeste, até os pobres votam majoritariamente em Serra. Nas demais regiões, Dilma lidera mesmo na faixa com renda maior.

 

Desde abril, data da pesquisa anterior do Ibope, a pré-candidata petista ampliou seu eleitorado em todas as regiões, com exceção do Sul, onde o panorama ficou inalterado, com oscilações dentro da margem de erro.

 

Evolução. No Nordeste, Dilma lidera com 47% e ampliou sua vantagem de 8 para 20 pontos porcentuais. No Norte/Centro-Oeste, a petista saiu de uma situação de empate técnico e assumiu a ponta, com 43% a 31%.

 

No Sudeste, Serra é o líder, com 41% a 33%, mas sua vantagem se reduziu de 16 para 8 pontos. No Sul, o tucano oscilou de 48% para 46%, enquanto a petista passou de 24% para 26%.

 

Entre os mais pobres de seu principal reduto, o Nordeste, Dilma vence por larga margem: 51% a 25%. Entre os mais pobres do Sul, é Serra quem se sobressai: 53% a 16%. Os resultados se referem ao segmento com renda familiar de até um salário mínimo, o mais beneficiado por programas sociais do governo, como o Bolsa-Família.

 

A ex-ministra da Casa Civil tem desempenho homogêneo nos municípios de até 20 mil habitantes (38%), de 20 mil a 100 mil (37%) e de mais de 100 mil moradores (36%). O ex-governador de São Paulo vai melhor nas cidades pequenas e médias (39% e 43%) que nas grandes (33%).

 

Nas capitais, Dilma lidera (35% a 31%). Nas chamadas cidades periféricas, Serra leva vantagem (40% a 33%). No interior, há empate técnico.

Sexos. Além da questão regional, outra divisão clara no eleitorado é a de gêneros. No eleitorado masculino, Dilma está à frente de Serra, com 41% das preferências contra 35%. Entre as mulheres, no entanto, é o tucano quem lidera, por 38% a 33%. Marina Silva, do PV, tem número similar de simpatizantes do sexo masculino e feminino: 9% e 10%, respectivamente.

 

A segmentação do eleitorado pela escolaridade não revela grandes disparidades entre os dois principais candidatos: a distância entre eles não supera 4 pontos porcentuais nas diferentes faixas.

 

Serra tem 36% das intenções de voto entre os que estudaram até a 4º série, 39% entre os que ficaram entre a 5.ª e a 8.ª séries, 36% entre os que cursaram o ensino médio e 38% entre os que fizeram curso superior. No caso de Dilma, esses índices são de 39%, 35%, 37% e 34%, respectivamente.

 

Tampouco há diferenças significativas no eleitorado segundo sua idade. Os principais rivais empatam tecnicamente tanto nas faixas etárias mais baixas como nas mais altas.

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