Dividir comando da CPI vai 'distender tensões', diz Múcio

Planalto autorizou na quarta-feira Romero Jucá a ceder para o PSDB a presidência da CPI dos cartões

CIDA FONTES, Agencia Estado

28 de fevereiro de 2008 | 13h08

O ministro de Relações Institucionais, José Múcio, defendeu que os principais postos de comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista destinada a apurar o uso indevido de cartões corporativos sejam "compartilhados" entre governo e oposição da Câmara e do Senado. "É uma forma de distender as tensões", disse, ao acrescentar que, na próxima segunda-feira, voltará a se reunir com os líderes do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS) e da bancada petista, deputado Maurício Rands (PE), em busca de uma solução para o impasse.   Veja também:   Entenda a crise dos cartões corporativos   Jarbas recusa convite do PSDB para presidir CPI dos cartões Após leitura, Senado instala CPI mista dos cartões  Acordo dá presidência da CPI mista dos cartões ao PSDB Assim que o Planalto autorizou na quarta o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a ceder para o PSDB a presidência da CPI, o PT da Câmara reagiu e reabriu as negociações com o governo. Inicialmente o partido queria ficar com a relatoria - considerado o cargo mais importante - mas agora quer trocar pela presidência. Múcio jantou ontem com os dois líderes petistas, mas não conseguiu convencê-los que o melhor seria o partido assumir o cargo de relator, considerado o mais importante.Surpresos com a reação do PT, alguns estrategistas políticos do governo ainda não conseguiram entender o novo comportamento dos petistas. Parlamentares de oposição avaliam, no entanto, que o vai-e-vem da bancada mostra que o PT não quer investigar os cartões corporativos, ou então, adiar ao máximo a instalação da CPI numa estratégia de esfriar o assunto. Indagado sobre a atitude do PT, o ministro José Múcio optou pela cautela, que sua experiência no Congresso recomenda. "O PT é um partido grande e, às vezes, as decisões demoram mais", disse. Mas garantiu: "Vai ter que ter a CPI para não ficar com cheiro de sem-solução. Tudo vai ser fiscalizado e o governo tem absoluto interesse nisso e que haja entendimento entre as duas Casas (Câmara e Senado), pois assim o resultado das investigações será melhor", completou.

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