Divididos, tucanos têm neste sábado primeiro teste rumo a 2014

Partido chega à convenção rachado entre grupos dos presidenciáveis Serra e Aécio

Julia Duailibi e Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2011 | 23h00

Sete meses após a derrota na eleição presidencial de 2010, o PSDB chega a seu primeiro encontro nacional dividido entre setores que buscam se cacifar internamente na disputa pelo Palácio do Planalto em 2014. A Convenção Nacional do partido, realizada neste sábado, 28, em Brasília, ficará marcada pela ausência de unidade em torno de um projeto comum para o maior partido de oposição.

 

Ainda nesta sexta-feira, véspera da reunião, o partido buscava um acordo, capitaneado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na disputa entre o senador Aécio Neves (MG) e o ex-governador José Serra (SP), aspirantes ao título de próximo candidato do PSDB à Presidência.

 

Depois de negociações em torno da composição da Executiva Nacional, cúpula partidária composta por 23 cargos, a ser eleita neste sábado, restou um nó a ser desatado: a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Aécio apoia a indicação do ex-senador Tasso Jereissati (CE). Serra, depois de resistir a oferta inicial de ficar com o posto, passou a pleitear a presidência do instituto, com um orçamento de cerca de R$ 10 milhões e responsável por estudos e pesquisas do partido.

 

Tanto o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, que será reconduzido hoje ao cargo, quanto Aécio não querem Serra no ITV por avaliarem que será criada no partido uma "presidência paralela". Cederam ao grupo de Serra a primeira-vice-presidência do PSDB como principal espaço na Executiva Nacional.

 

Encontro. Nesta sexta, Serra, FHC e o governador paulista Geraldo Alckmin reuniram-se no apartamento do ex-presidente para discutir uma solução. Fernando Henrique defendia a indicação do ex-governador à presidência de um Conselho Político, a ser criado pelo PSDB hoje. Serra, no entanto, resistia, segundo aliados. Para os serristas, o conselho era um "prêmio de consolação" que buscavam dar a ele.

 

A cúpula tucana acenou com um conselho enxuto, com no máximo seis integrantes, que teria autonomia financeira e administrativa e direito a contratar uma equipe de assessores para ajudar Serra a formular as políticas e o discurso do PSDB. O ex-governador, no entanto, mostrou-se indignado com o "veto" a seu nome para presidir o ITV e ameaçou explicitar o racha boicotando a convenção. O líder da bancada tucana na Câmara, Duarte Nogueira (SP), avaliava como "remotíssima" a possibilidade de ele aceitar a troca do ITV pelo Conselho Político. Aécio, no entanto, mantinha-se otimista em relação a um acordo, argumentando que o PSDB é "muito maior que qualquer um de nós".

 

Reunidos na sede do PSDB em Brasília, Aécio e Sérgio Guerra aguardavam por um sinal de "fumaça branca" de São Paulo. Com o grupo, estava o ex-senador Tasso Jereissati. Dois meses atrás, diante da convite dos senadores para que aceitasse a presidência do instituto, ele foi a São Paulo falar com FHC e Alckmin.

 

Serra havia recusado a ideia de presidir o ITV e ainda não tinha recolocado seu nome. Com a aproximação da convenção, voltou atrás. Os paulistas endossaram a reivindicação abrindo mão de outras posições na Executiva do partido para acomodar o ex-governador no ITV.

 

Com o impasse em torno da indicação de Serra para o ITV, os tucanos contavam como certa apenas a recondução de Guerra na presidência. A tendência era que o atual secretário-geral, deputado Rodrigo de Castro, aliado de Aécio, fosse reeleito. O ex-governador Alberto Goldman estava cotado para a primeira-vice-presidência, do lado serrista.

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