Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dividido, PSL muda de posicionamento e anuncia apoio a Lira

Sigla havia integrado bloco que referendava candidatura de Baleia Rossi

Matheus de Souza, Sofia Aguiar, Anne Warth e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 18h45

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O PSL aderiu formalmente ao bloco de apoio do candidato Arthur Lira (Progressistas-AL) à presidência da Câmara, ampliando as divergências internas do partido depois que o presidente Jair Bolsonaro anunciou sua saída e tentou, sem sucesso, criar o Aliança pelo Brasil.

Com a segunda maior bancada da Câmara, composta por 52 deputados, a legenda havia anunciado apoio público a Baleia Rossi (MDB-SP) – o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), chegou a participar do evento de lançamento do emedebista. Assim que as dissidências começaram a se tornar públicas, Bivar, por meio de nota, disse que o PSL estava “fechado” com Baleia Rossi e que assim permaneceria “até o fim”.

Mas deputados da ala dissidente e se uniram para obter maioria e mudar o posicionamento da sigla. O apoio do partido a Lira já consta do sistema da Câmara dos Deputados. Nas redes sociais, o deputado Major Vitor Hugo comemorou.

“Foi necessário que a maioria da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados impusesse o registro, já que Rodrigo Maia (DEM-RJ) estava colocando todo tipo de dificuldade. Vitória do Brasil”, disse, em referência ao presidente da Câmara.

Para Entender

Veja o placar da eleição para presidente da Câmara dos Deputados

Baleia Rossi, candidato de Rodrigo Maia, e Arthur Lira, apoiado por Bolsonaro, lideram corrida pela presidência da Casa; siga distribuição de votos por deputado, partidos e Estados

Em sua conta no Twitter, Lira comemorou a decisão e disse que “prevaleceu a vontade dos deputados”. Lira tinha inicialmente o apoio de 32 deputados dentro do PSL – dos quais 17 suspensos, o que invalidaria suas assinaturas. Mas nos últimos dias, quatro parlamentares do partido decidiram apoiar Lira, ampliando a 19 a quantidade de deputados dissidentes, mais que os 16 favoráveis a Baleia Rossi.

O vice-líder do PSL, Júnior Bozella (SP), disse que o partido trabalha para convencer os dissidentes a mudar de posicionamento e para que “abram os olhos”. Segundo ele, muitos deputados tiveram apoio do partido para disputar prefeituras nas eleições de 2020, foram contemplados na divisão das verbas do fundo eleitoral e comandam diretórios estaduais e regionais.

“É preciso que se tenha o mínimo de dignidade. Acredito que quem fez esse movimento deve repensar e refletir, pois é um preço muito alto a se pagar e a história vai cobrá-los”, disse ele ao Estadão/Broadcast. “Entrar em um bloco patrocinado pelo Palácio do Planalto é extremamente nocivo para a nação.”

Bozella afirmou que Bolsonaro está loteando cargos e verbas para obter apoio à candidatura de Lira. “Os deputados eleitos pelo PSL deveriam colocar a cara e dizer que o presidente nos enganou”, criticou o deputado. “Primeiro comprou o Centrão e a segunda fase desse movimento é agora mais avacalhada e esculhambada. O bloco de Lira é o bloco da promiscuidade.”

Procurada, a assessoria de Baleia Rossi disse que o PSL é um partido dividido. “O deputado Baleia acredita nos votos que tem no PSL e vai trabalhar para que essa formação do bloco não seja consolidada na apresentação oficial das chapas, no dia da eleição”, disse, por meio de nota.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.