Dívida de relator do Refis subiu após parcelamento

Newton Cardoso Jr. ampliou sua dívida com a União, apesar de suas empresas terem se inscrito no programa

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2018 | 05h01

Brasília - Relator do último programa de parcelamento de débitos tributários, o deputado Newton Cardoso Jr. (MDB-MG) ampliou sua dívida com a União, apesar de suas empresas terem se inscrito no Refis e tido acesso aos descontos proporcionados pelo programa. O emedebista é o terceiro maior devedor entre os congressistas e responde por R$ 88,3 milhões em débitos, mais que os R$ 51 milhões que suas companhias deviam em julho de 2017, quando o projeto do parcelamento ainda era apreciado pelo Legislativo.

Cardoso Jr. aparece como sócio, diretor ou presidente de empresas do ramo hoteleiro, siderúrgico, editorial, agropecuário, alimentício e de uma consultoria. Suas companhias já inscreveram R$ 19,5 milhões em dívidas nos parcelamentos. Os outros R$ 68,8 milhões estão em processo de cobrança, segundo os dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) obtidos pelo Estado. 

Uma das empresas, a Goody Industria de Alimentos S/A, teve R$ 3,6 milhões em novas inscrições feitas em 2018 na dívida ativa da União. Isso significa que os débitos foram gerados recentemente e já não podiam ser incluídos no último Refis.

O emedebista foi um dos grandes artífices do processo que desfigurou a primeira Medida Provisória editada pelo governo do presidente Michel Temer para dar uma saída a empresas que estavam sufocadas por dívidas tributárias em meio à recessão. A versão original do programa não dava nenhum desconto, mas Cardoso Jr. articulou todas as mudanças e pressionou a equipe econômica para aceitar os descontos.

Ao Estado, o deputado informou via assessoria que, desde sua diplomação como deputado em 2014, “não mais se encontra à frente das empresas”. Ele disse ainda que a abertura de um novo Refis, como defendem alguns parlamentares, “não é uma vontade pessoa”. 

“Trata-se de uma política de governo para enfrentar crises, proteger a arrecadação e diminuir estoques de dívidas que a administração tributária e a Procuradoria não têm sido eficientes em recuperar”, diz a nota. 

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