Divergências não impedem unificação de agenda econômica, defende Mercadante

O deputado federal Aloizio Mercadante (PT-SP) acredita que a discordância de integrantes de seu partido sobre o grau de autonomia do Banco Central não deve impedir a unificação de uma agenda econômica básica e de consenso entre os partidos de oposição para as eleições de 2002. "O que queremos deixar claro é que temos compromisso com a estabilidade econômica", reiterou. "Isso quer dizer que apesar de querermos mudar o modelo econômico deste governo, assumimos que vamos trabalhar com as restrições macroeconômicas que são a vulnerabilidade cambial, fiscal, financeira e inflacionaria."Na semana passada, ao defender que a oposição mantenha o compromisso de estabilidade econômica do País, o deputado obteve boa repercussão no mercado financeiro e nem tão boa no próprio PT.O presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, disse na sexta-feira que concordava apenas em parte com as posições de Mercadante, especificamente contra o calote das dívidas externa e interna. Lula e outros integrantes do PT não chegaram a um acordo sobre a dimensão de independência do Banco Central."Sobre essa questão não pode ter acordo porque não há mesmo posição do partido", observou Mercadante. O próprio deputado se mostrou contrário à idéia de que o atual governo pudesse nomear a diretoria do BC para o governo que o sucederá. "Isso mais me parece oportunismo de véspera de eleição para engessar a próxima administração", disse. "Imagine, por exemplo, se o presidente nomeado fosse o Gustavo Franco e ele insistisse na âncora cambial? Isso simplesmente acabaria com a política econômica do próximo governo."Mercadante não acredita numa política econômica em comum das oposições. "Não defendi política única da oposição, proponho uma agenda básica de temas que temos de expor com muita responsabilidade em função do agravamento da crise cambial e econômica."A diferença, segundo o deputado, é que o modelo econômico petista não será prisioneiro das metas de inflação e equilíbrio fiscal "a todo custo, principalmente social", mantido pelo atual governo. "Queremos enfrentar a vulnerabilidade cambial, exportar mais, substituir importações, ter políticas agrícolas, ter política comercial", exemplifica. Ele mostra-se a favor da definição de metas de inflação, do Produto Interno Bruto (PIB) e de emprego, e diz que o partido fará suas propostas sobre esses temas por meio de uma carta de reponsabilidade econômica e social.CPMF - O deputado é favorável à manutenção da Contribuição Permanente sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Num momento de crise, o País não pode abrir mão de sua receitas." Outro tema intocável, segundo ele, é o impedimento das renegociações das dívidas internas públicas. "Num País que viveu o calote da dívida, isso passa a idéia para o mercado de que virá um outro confisco, outra ruptura unilateral de contratos; e a conseqüência é o aumento da taxa de juros e a especulação."Segundo ele, não interessa para o PT, e para a oposição de maneira geral, o agravamento da crise econômica - como acusa o governo. "Para nós, é quanto pior, pior."

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