Divergência entre aliados adia escolha do relator da CPMF

Além do impasse na Câmara, PSDB e DEM também enfrentam crise no Senado

Denise Madueño e Cida Fontes, do Estadão

22 de agosto de 2007 | 16h30

A comissão especial da Câmara criada para analisar a emenda constitucional que prorroga até 2011 a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi instalada nesta quarta-feira, 22,  mas, por falta de um entendimento entre os partidos da base governista, ainda não conseguiu eleger um relator para a proposta. Logo após a instalação da comissão, foi eleito para presidí-la o deputado Pedro Novais (PMDB-MA). Ele convocou reunião para esta quinta-feira, às 10 horas, e disse esperar que, nesse encontro, seja feita a escolha do relator. O nome cotado para a relatoria é o do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), mas o PP e o PR, aliados do Palácio do Planalto, estão pressionando para que o escolhido seja o deputado Sandro Mabel (PR-GO). Até o momento da instalação da comissão, os partidos negociavam, mas não houve acordo. A crise entre PSDB e Democratas não está restrita à Câmara. Os dois principais partidos de oposição ao governo Lula estão em conflito também no Senado. Os tucanos argumentam que, como o DEM não tem um nome competitivo à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, faz oposição radical e "joga para a platéia".  O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), conversou com os líderes do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), para discutir a representação tucana na CPI. Virgílio quer o cargo para a senadora Lúcia Vânia (GO), mas o DEM deseja indicar o senador Demóstenes Torres (GO). "É preciso pensar se vale a pena manter a relação que construímos, que precisa ser feita com base no respeito mútuo", desabafou Virgílio. Além de pressionar o PSDB a segui-lo na obstrução da pauta do Senado, o DEM quer forçar os tucanos a votarem contra a prorrogação da CPMF. "O PSDB vai decidir sobre a CPMF quando quiser e como quiser. Não somos caudatários de ninguém", reagiu Virgílio. "Não somos uma filial do DEM", completou. O senador considerou "grosseria e desrespeito" o fato de o DEM indicar o deputado André de Paula (PE) para o cargo de líder da minoria na Câmara, passando por cima deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), um dos autores de emenda constitucional que cria um "trem da alegria" na Câmara. O paraense havia substituído Júlio Redecker, morto no acidente da TAM. "Está faltando equilíbrio", comentou Arthur Virgílio.  

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