Divergência de Caiado com PSB é 'questão localizada', diz Agripino Maia

Presidente do DEM diz que divergência não muda posição do partido, que não fechou apoio para 2014

Ricardo Brito, Agência Estado

10 de outubro de 2013 | 15h42

Brasília - O presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN), afirmou na manhã desta quinta-feira, 10, que as declarações do presidente do PSB e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos, de que não há aliança com o líder do seu partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), não muda a posição da legenda que preside. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, recém-filiada ao PSB, rejeitou um acordo com Caiado, expoente da bancada ruralista no Congresso e que já havia declarado apoio a Campos em 2014.

Ronaldo Caiado foi rifado pelo presidente do PSB em nome do acerto com Marina, segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto. O presidente do DEM, apesar de lamentar o episódio, disse que a manifestação de Campos em nada muda a posição do seu partido, que ainda não decidiu quem vai apoiar na eleição do ano que vem. "Não tem posição, isso é uma questão localizada com Ronaldo Caiado. A oposição não vai brigar com a oposição. Eles têm o pensamento dele, nós temos o nosso. Temos divergências, mas há confluência em um ponto: o ciclo do PT precisa encerrar", afirmou.

Agripino Maia disse que o partido que preside não tem prazo para decidir qual candidatura vai apoiar ao Planalto e destacou que a prioridade do DEM são as eleições proporcionais - a legenda foi uma das que mais perdeu parlamentares no Congresso desde o início da gestão Lula. A aliança presidencial, frisou, será condicionada a esses acertos.

Mas o presidente do DEM lembrou que, embora não descarte uma aliança até com o PSB, o fato "não-natural" seria não apoiar uma candidatura presidencial do PSDB. Para ele, a chapa Eduardo-Marina fortalece a oposição e se os dois, juntamente com o nome tucano, tiverem "habilidade" o eleitorado será somado. "É uma questão matemática. Agora entre a questão matemática e a eleição, vai depender dos candidatos", observou. A seguir, a íntegra da entrevista concedida ao Broadcast Político:

Após Eduardo Campos ter dito que não tem aliança com Ronaldo Caiado, qual posição o DEM terá?

Não tem posição, isso é uma questão localizada com Ronaldo Caiado. A oposição não vai brigar com a oposição. Eles têm o pensamento dele, nós temos o nosso. Temos divergências, mas há confluência em um ponto: o ciclo do PT precisa encerrar. Todas as forças contra o governo precisam estar articuladas em torno da causa para o futuro do país.

Qual caminho o DEM vai seguir em 2014?

A prioridade do Democratas é a eleição proporcional e em função das alianças regionais faremos a nossa decisão. É claro que, pela longevidade da aliança com o PSDB, o fato não-natural seria não estarmos juntos. Não é um assunto encerrado.

Há prazo para tomar uma decisão do partido?

Prazo? Por que vamos nos impor um prazo?

Há espaço para uma aliança com o PSB?

Nos arranjos para as eleições proporcionais, o partido está livre para quem tiver livre. Isso vai depender de estado por estado. Há uma enorme quantidade de afinidades com o PSDB. E também há afinidades com vários outros não-excluídos de uma aliança, inclusive o PSB.

O senhor vê com simpatia uma aliança presidencial com os socialistas?

(Ela) vai ser produto das alianças regionais, quando vemos uma proeminência das relações com o PSDB. Na disputa para prefeito no ano passado, nós elegemos prefeitos de duas capitais e em ambos o PSDB nos apoiava. Em Aracaju, eles têm a vice-prefeitura (com José Carlos Machado). Em Salvador, eles apoiaram a eleição de ACM Neto.

Como o senhor avalia uma eventual chapa puro sangue Aécio Neves e José Serra?

Não tenho nenhuma comentário a fazer, não sou a favor nem contra. Aécio é suficientemente hábil e competente para, em sendo candidato, saber que é necessário compor uma chapa político-eleitoral forte. Ele precisará estar livre para fazer a melhor composição.

Uma eventual chapa Eduardo Campos e Marina Silva fortalece a oposição, com possibilidade de se realizar um segundo turno presidencial?

Não tenho nenhuma dúvida. Marina, que não tinha um discurso de oposição ao governo do PT, quando ela fez a opção (de se filiar ao PSB), e se referiu ao chavismo (do governo), ela demarcou claramente o terreno de oposição do PT. Ela fortalece aquilo que é a tese maior da oposição para o ciclo do PT se encerrar. Ela assumiu o discurso oposicionista, que ela não tinha. Ela defendia teses relativas ao meio-ambiente e ao desenvolvimento sustentável. Agora ficou claro (a mudança de discurso), nitidamente claro. Por isso eu digo que o episódio com o Caiado é isolado, eu lamento, mas em nada interfere na consciência de que é preciso ter um discurso contra o governo.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse justamente o contrário, que favorece a uma vitória no primeiro turno de Dilma.

Ele tinha que dizer isso, ele é um petista juramentado e deveria dizer isso. As evidências, contudo, não mostram isso. É a soma de três forças que, se tiverem habilidade, vai levar o eleitorado a se somar. É uma questão matemática. Agora entre a questão matemática e a eleição vai depender dos candidatos. Eles precisam conduzir as ideias e mostrar que o país está não competitivo, e da nossa economia só nos resta o setor rural. A economia está estagnada, a indústria está em declínio e a infraestrutura, deficiente. Ou o país acorda e muda ou vai passar para ser a 15ª economia do mundo.

Tudo o que sabemos sobre:
MarinaAgripinoCaiadoPSB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.