Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Distritão é violência contra a democracia, diz Aécio a deputados

Equipe do senador encaminhou mensagens a celulares de parlamentares tucanos oriantando a votar contra a proposta

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2015 | 16h52

Brasília - O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), orientou a bancada tucana da Câmara a votar contra o distritão. Nesta terça-feira, a equipe do tucano enviou mensagens nos celulares de todos os deputados do partido argumentando que o PSDB considera o modelo "uma violência contra a democracia".

"Caro companheiro e companheira, no momento em que a Câmara se prepara para votação de matéria de tamanha relevância para a estabilidade política brasileira, tomo a liberdade de pedir a sua reflexão. Sem partidos não há democracia representativa. O chamado distritão é uma violência contra a democracia. O 'D' do PSDB , mais do que uma letra do alfabeto, é um compromisso com a democracia. Em nome do nosso programa e da nossa história não podemos concordar com o distritão", diz a mensagem assinada por Aécio. 

A reforma política começa a ser votada na Câmara nesta terça. O presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é a favor do modelo. Pela manhã, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) apresentou aos líderes partidários um novo texto para a PEC da Reforma Política, que atende às preferências de Cunha e do vice-presidente Michel Temer. Na segunda-feira, o peemedebista havia enterrado a Comissão Especial criada para debater o assunto na Casa e cujo relatório não o agradava.

Com o distritão, os candidatos a deputado mais votados em cada Estado seriam eleitos, sem a transferência de voto dentro dos partidos ou voto de legenda nas eleições proporcionais. 

Nesta terça, Aécio recebeu o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que tem trabalhado contra a aprovação do modelo. Também participaram da reunião o ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), e o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

Historicamente, o PSDB sempre defendeu o sistema distrital misto, pelo qual o eleitor escolhe primeiro o deputado de seu distrito e depois, decide o partido com o qual mais se identifica. A crítica ao distritão é que esse modelo, existente em poucos países - como o Afeganistão -, estimularia o personalismo, concentrando em candidatos famosos e com mais recursos para publicidade e enfraquecendo os partidos e a representação de minorias no Congresso.

"O distritão aniquila os partidos políticos. Algumas pessoas podem estar iludidas com o imediatismo de achar que numa próxima eleição esse sistema lhes favorece, mas do ponto de vista da política, do fortalecimento das instituições e dos partidos, é um violento passo atrás", disse Aécio ao Estadão. (Isadora Peron) 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.