Dissidentes do PSDB preparam contra-ataque a ''golpe'' de Aníbal

Grupo encontra FHC hoje e decide se aciona Conselho de Ética ou Justiça

Julia Duailibi e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

10 de fevereiro de 2009 | 00h00

Uma semana após o racha na bancada do PSDB na Câmara, os chamados deputados dissidentes começam a articular uma espécie de contra-ataque à reeleição do atual líder, o deputado José Aníbal (SP).Hoje parte desses parlamentares encontra-se com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pela manhã, em São Paulo. A ideia é levar um relato do processo que culminou no racha da bancada e apontar Aníbal como o responsável pela crise. À tarde, o grupo de deputados fará reunião na Câmara, onde serão analisadas duas medidas: entrar com uma representação no Conselho de Ética do PSDB ou recorrer à Justiça para anular a reeleição. Na semana passada, a crise se materializou quando Aníbal conseguiu ser reeleito, após alterar o estatuto da bancada que proibia a recondução. Dos 58 parlamentares do PSDB na Câmara, 20 se abstiveram como protesto à reeleição. Desses, 19 fundaram no mesmo dia o Movimento Unidade, Democrática e Ética contra o processo interno. Aníbal acabou sendo reeleito com o voto de 36 deputados."É importante colocarmos a versão dos fatos e mostrar quem criou o problema", declarou o deputado Paulo Renato Souza (SP), que articulou a reunião com FHC e foi candidato a líder da bancada. O encontro, no entanto, não teve o apoio de todos os 19 dissidentes. O grupo inteiro foi convidado, mas deve comparecer menos da metade.Principal cardeal do partido, o ex-presidente manifestou insatisfação com o racha. Avalia que a imagem que ficou para a opinião pública é de uma briga entre aecistas e serristas - ou seja, entre deputados ligados ao governador mineiro Aécio Neves, que apoiaram Aníbal,e aliados do paulista José Serra, que se abstiveram na votação. A briga interna, avaliam tucanos, pode acabar atrapalhando os planos do partido de voltar ao Planalto em 2010. Serra e Aécio são os principais nomes do PSDB para disputar a Presidência na próxima eleição. ENCONTROComo o grupo dissidente não estará completo no encontro com FHC, a ideia é debater, à tarde, na Câmara, o assunto. "A inscrição na chapa tinha de ser feita 24 horas antes da eleição. A regra (para recondução) foi alterada a 12 horas da votação. Portanto, é um processo de inelegibilidade flagrante", defendeu Zenaldo Coutinho (PA), ao comentar a alteração no estatuto promovida pelos aliados de Aníbal. Defensores da reeleição de Aníbal minimizam a articulação dos tucanos dissidentes. "A bancada decidiu que o líder tinha de ser ele. A reação (dos dissidentes) provocou dano, o que não foi agradável", disse o deputado Sílvio Torres (SP). Procurado, Aníbal não se pronunciou. CARTAA disputa pela liderança do PSDB na Câmara dos Deputados começou ainda no fim do ano passado. Antes do recesso parlamentar, Paulo Renato, que já era cogitado para assumir a vaga de líder, mandou uma carta aos 58 deputados tucanos, à época, criticando o abaixo-assinado feito por aliados de Aníbal a favor da reeleição. Na mensagem, ele classificava como "inaceitável" o método usado pelo grupo.O papel do líder nos próximos dois anos é mais estratégico do que nunca, já que coincidirá, em parte, com a temporada de escolha do candidato tucano à Presidência.

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