Dissidentes do MST invadem sítio pela segunda vez em agosto

Dono da propriedade, localizada em Sorocaba, garante que ela é produtiva: 'Tenho lavoura e gado'

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2009 | 16h03

Três dias depois de terem desocupado a área por ordem da justiça, cerca de 100 dissidentes do Movimento dos Sem-Terra (MST) voltaram a invadir, na manhã desta sexta-feira, 21, o Sítio Santa Marina, em Pederneiras, na região de Bauru. Os invasores são assentados no assentamento Aymorés, administrado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que fica no entorno da propriedade.

 

O grupo teria ameaçado trabalhadores que reconstruíam 800 metros de cerca, destruídos na invasão anterior, no último dia 8. A área, além de pequena, é produtiva, segundo o proprietário Antonio Aversa Neto. "Tenho lavoura e 80 cabeças de gado."

 

Ele acusa funcionários do núcleo de apoio do Incra na região de terem incentivado a nova invasão. Segundo Neto, o juiz que havia dado a liminar de reintegração de posse a seu favor, remeteu o processo para a Justiça Federal por entender que o Incra é parte no processo. Com isso, os efeitos da liminar foram suspensos. Ex-integrantes do MST, os invasores são agora filiados a uma federação ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e já tinham ocupado a mesma gleba em 2006.

 

A superintendência do Incra em São Paulo informou que a área está sob posse do órgão há alguns anos, por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Ela está localizada dentro do Horto Aimorés, portanto, pertencia à extinta Rede Ferroviária Federal S/A e hoje integra o assentamento, segundo o Incra. "Esse senhor que se diz proprietário foi considerado posseiro, estando assegurada a ele, na decisão do TRF, apenas a indenização por benfeitorias localizadas no imóvel", diz a nota do Incra.

 

Segundo o órgão, eventual título apresentado por ele não pode ser considerado válido. Neto, no entanto, apresentou documentos comprovando que a matrícula do seu imóvel não corresponde à matrícula do antigo horto, transferido ao Incra pela decisão do TRF. A área do horto pertencia à Rede Ferroviária, enquanto o Sítio Santa Marina, embora encravado nessa área, pertencia a particulares e foi transferida ao atual proprietário há 21 anos. "São imóveis distintos e a atitude do Incra é abusiva", disse Neto. Ele pretende processar a União para se ressarcir dos danos causados pela sequência de invasões.

Tudo o que sabemos sobre:
MSTSorocabasítio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.