Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Temer diz que não move 'uma palha' para ocupar lugar de Dilma

Vice-presidente enfrenta saia justa em encontro com empresários anti-Dilma na capital paulista

Pedro Venceslau e Letícia Sorg, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 20h54

São Paulo - O vice presidente Michel Temer (PMDB) enfrentou uma saia justa ao participar, na noite desta quinta-feira, 3, de um encontro com empresários e ativistas organizado pela empresária Rosângela Lyra, líder do movimento Acorda Brasil, que faz oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff.

O peemedebista foi o décimo participante do Projeto Política Viva. Os nove anteriores são de oposição. Entre eles estão os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO), Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Álvaro Dias (PSDB-PR).  "O senhor vai passar para a história como oportunista ou estadista", perguntou da plateia o empresário Fábio Suplicy. "Em momento nenhum eu agi de maneira oportunista. Muitas vezes dizem: o Temer quer assumir a Presidência. Mas eu não movo uma palha, porque aí sim eu seria oportunista", respondeu Temer, irritado.

Ele também negou que o seu partido queira a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Disse a Levy que ele tem o apoio pleno do PMDB", afirmou, emendando que reuniu líderes da legenda para pedir "apoio expresso" ao chefe da equipe econômica. "Saída do Levy agora seria muito prejudicial para o País."

Durante evento em São Paulo promovido pela socialite Rosangela Lyra, o vice-presidente também disse que sua polêmica declaração sobre a necessidade de o País ter alguém que o "reunifique" aconteceu num momento em que era preciso afirmar a gravidade da crise. Temer lembrou que Dilma havia reunido os governadores para falar da atual situação econômica mas, pouco depois, o Congresso aprovou pautas-bomba, que aumentam os gastos da União.

Questionado sobre a necessidade de combater a corrupção, Temer afirmou que não são necessárias novas leis e que a tentativa de criar novos itens na legislação às vezes pode ser demagógica.

Impostos. O vice-presidente também voltou a afirmar que é absolutamente contrário à criação de novos impostos. Ele contou que, quando soube da intenção do governo de recriar a CPMF, alertou a presidente Dilma Rousseff (PT) de que a iniciativa teria uma "derrota fragorosa" no Congresso e poderia criar uma rebelião social.

Além disso, a possibilidade de o imposto ser derrubado tempos depois, como já ocorreu no passado recente, poderia significar também uma derrota econômica. Como é contra o aumento de impostos, Temer disse que a opção para tentar reverter o déficit no Orçamento de 2016 é cortar gastos. Se, mesmo com os cortes, as contas não fecharem, o vice defende o aumento por período limitado de alíquotas já existentes.

Articulação. Temer reiterou que continuará na articulação política "macro" do governo Dilma Rousseff (PT). "Como vice-presidente, não teria como sair da articulação, tenho 3 anos e meio pela frente", afirmou.

O vice ainda pontouou que o País não vive uma crise institucional, que é a mais grave, mas admitiu as crises política e econômica. Ele fez a afirmação depois de uma breve recapitulação da história política do Brasil, em que "parece que temos que cumprir uma tragédia, de a cada 25, 30 anos, mudar as instituições".

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