Disputas regionais dificultam corpo-a-corpo com aliados

Senador encontrou dificuldades até para convencer colegas de partido

Cida Fontes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

As principais dificuldades do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na tarefa de conquistar votos pela sua absolvição nos partidos aliados, inclusive no PMDB, decorreram das divergências regionais entre os partidos. Auxiliado por senadores peemedebistas, ele tentou contornar os problemas por meio de corpo-a-corpo e telefonemas pessoais. O senador Garibaldi Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, disse que votará favoravelmente à cassação do mandato de Renan por causa da briga eleitoral em seu Estado com os senadores do DEM, José Agripino e Rosalba Ciarlini. No Espírito Santo, onde poderia ter o apoio dos senadores Gerson Camata (PMDB) e Magno Malta (PR), Renan deve perder os dois votos. Motivo: os parlamentares aliados estão "massacrados" pela força política em ascensão do senador do PSB, Renato Casagrande, que fez um relatório muito duro - ao lado da colega Marisa Serrano (PSDB-MS) - em favor da cassação do presidente do Senado.Marisa também vem dificultando a vida de Renan fora do Senado. Os aliados do peemedebista já consideram perdidos os votos do petista Delcídio Amaral, em razão da pressão da opinião pública em Mato Grosso do Sul, estimulada pela exposição da relatora na mídia e pela atuação no Conselho de Ética. Por esse mesmo motivo, o senador Valter Pereira, do PMDB, não teria definido o seu voto.No Rio Grande do Sul, os três senadores estão unidos: o peemedebista Pedro Simon, o petista Paulo Paim e o petebista Sérgio Zambiasi. Paim exagera: "No Rio Grande do Sul, quem não votar pela cassação de Renan está morto." No Amazonas, o presidente do Senado amargou prejuízo com o voto do petista João Pedro no Conselho de Ética. Além disso, os senadores Arthur Virgílio (PSDB) e Jefferson Péres (PDT) atuam de forma enfática contra ele.CAETANOAs críticas não vêm só do meio político. O cantor Caetano Veloso defendeu ontem a cassação de Renan, no lançamento do CD Multishow Cê ao vivo, no Rio. Num jogo de palavras, ele disse que "Renan Collor Cardoso Calheiros" tem de ser "posto para fora" e repetiu o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ): "Ou morre o Renan ou morre o Senado." COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

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