Disputa por liderança tucana vira briga

Preocupado com os palavrões e a ameaça de pancadaria que interromperam a escolha do novo líder do PSDB no Senado, na semana passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso entrou em campo hoje, pregando a paz. A sucessão na liderança tucana, em que disputam os senadores Romero Jucá (RR) e Geraldo Melo (RN), será decidida em nova reunião da bancada de senadores, amanhã à tarde. Na esperança de evitar que a troca de insultos se repita, Fernando Henrique almoçou com Jucá e insistiu na tese da candidatura de consenso. Em vão. Ex-líder interino do governo no Senado, Jucá deixou o Palácio mantendo de pé sua candidatura, e insiste que a situação ainda está "meio a meio". Todo o trabalho da cúpula do PSDB é para evitar que uma disputa interna acabe convertida em novo foco de conflito no Senado, já tumultuado pela guerra na base em torno da sucessão e do destino do ex-presidente da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA)."Vou insistir para que não tenha eleição, porque já tem briga demais aqui no Senado", disse o senador Antero de Barros (PSDB-MT), apontado como eleitor de Jucá, mas que declara voto a Melo. Na verdade, porém, não foram os dois candidatos que se digladiaram na semana passada, e sim seus eleitores. O pivô da briga foi o ex-líder, senador Sérgio Machado (CE), que está trocando o PSDB pelo PMDB na semana que vem, mas ainda assim insiste em votar na sua sucessão. Como Machado deixa o ninho por conta de sua briga regional com o governador tucano Tasso Jereissati (CE), sua insistência em participar da eleição do PSDB irritou os cearenses. A briga começou com os protestos dos senadores Lúcio Alcântara (CE) e Luiz Pontes (CE), mas estendeu-se com a indignação de Pedro Piva (PSDB-SP) que, inconformado com a interferência de Machado, simplesmente rasgou as cédulas de votação.Partidários de Jucá garantem que Piva teria "melado" a eleição para evitar a derrota de Melo. Não é o que dizem os defensores da candidatura do senador potiguar. Até porque Jucá, afirmam, já teria perdido o voto de Nilo Campos (RJ), que entregou a cadeira ao titular e novo líder do governo no Senado, Artur da Távola (RJ), e contaria, agora, com o apoio de Teotônio Vilela (AL), que se absteve na eleição passada.

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