Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Disputa por liderança na Câmara gera racha entre correntes do PT

Mensagem ao Partido e Construindo um Novo Brasil pretendem lançar candidatos próprios a líder do partido na Casa

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2016 | 19h04

BRASÍLIA - A eleição para o próximo líder do PT na Câmara dos Deputados tem gerado desentendimento entre duas maiores correntes internas da legenda. À frente da liderança hoje, a Mensagem ao Partido (MP), quer permanecer no comando da bancada, o que irritou integrantes da Construindo um Novo Brasil (CBN), tendência majoritária da sigla e que acusa o outro grupo de descumprir acordo de revezamento.

Membro da MP, o atual líder do PT, Afonso Florence (BA), afirma que o movimento que aglutina cinco correntes internas da legenda, o Muda PT, do qual faz parte, terá candidato. O grupo defende antecipar mudanças no comando do PT ou precipitar uma saída em massa da legenda. "O Muda PT terá candidato", disse Florence ao Broadcast Político, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado. Um dos nomes cotados é o do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), integrante da Mensagem.

Florence argumenta que sua corrente conseguiu um bom resultado à frente da liderança e que é preciso consolidar esse trabalho. "Conseguimos manter a unidade da bancada e melhoramos a atuação nas matérias e no plenário. Já provamos que conseguimos derrotar o governo diversas vezes. Até hoje o governo não concluiu a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), por causa da nossa obstrução, por exemplo", afirmou.

Membros da CBN, mesma corrente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizem, porém, que Florence está descumprindo acordo firmado no início da atual legislatura, em 2015, e que previa alternância na liderança entre a corrente e a Mensagem ao Partido durante todos os quatro anos do mandato. "O grupo do Afonso está dando sinal de ruptura desse acordo", criticou o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP).

Florence, por sua vez, sustenta que o acordo inicial foi apenas para os dois primeiros anos da legislatura. "Pelo que estou entendendo, a CNB está querendo reeditar o acordo", disse. Para ele, as correntes internas terão de negociar os espaços. Além da liderança do partido, o PT, dono da segunda maior bancada da Câmara, poderá ter direito a um cargo da Mesa Diretora da Casa, caso esteja na chapa que vencer a disputa.

Nome da CNB para a liderança do PT em 2017, o deputado Carlos Zarattini (SP) rechaça negociação em torno da liderança. Segundo ele, o entendimento da corrente é de que o acordo foi para os quatro anos da legislatura. "A liderança é mais importante, porque a atuação política do partido se expressa mais na liderança (do partido) do que na Mesa", afirmou o petista ao Broadcast Político.

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