Disputa por Furnas gera troca de insultos entre Garotinho e Cunha

Ex-aliados acusam-se pelo Twitter e não se cumprimentaram em encontro no Rio de Janeiro

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2011 | 16h58

RIO DE JANEIRO - A briga pelo comando de Furnas Centrais Elétricas, que começou com denúncias e respostas desaforadas, chegou à troca de insultos. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ) acusaram-se mutuamente nesta sexta, no microblog Twitter. Os antigos aliados se encontraram na véspera, durante jantar de apoio ao candidato do PT à presidência da Câmara, Marco Maia (RS), e não se cumprimentaram.

Garotinho pôs em dúvida a origem do dinheiro de Eduardo Cunha, que, por sua vez, chamou o ex-governador, eleito deputado, de "quadrilheiro". Ambos fizeram ameaças veladas de tornarem públicas informações comprometedoras. "Quem quiser comparar nós dois é só observar o padrão de vida de Eduardo Cunha e o meu. Nos fins de semana vou para Campos, minha cidade. Ele vai para Nova York, onde se hospeda em hotéis de luxo. Eduardo tem polpudas aplicações no mercado financeiro, onde se tornou um grande investidor e mora numa mansão, num dos bairros mais caros do Rio. Eu moro num apartamento alugado, no Flamengo", disse Garotinho, em seu blog e no Twitter.

"Garotinho é caso de polícia e não de política", devolveu Cunha. "Vou preparar uma nota acerca do quadrilheiro Garotinho para encerrar minha parte da polêmica e não vou dar escada para ele ressuscitar", continuou. Inicialmente, a briga de Eduardo Cunha não era com Garotinho, mas com o que o peemedebista chamou de "setores do PT", referindo-se ao deputado licenciado Jorge Bittar (PT-RJ), secretário municipal de Habitação do Rio.

Na semana passada, Bittar encaminhou ao ministro de Relações Institucionais, o petista Luiz Sérgio, um documento em que funcionários de carreira de Furnas denunciam o aparelhamento da estatal e uma série de desvios administrativos, segundo eles patrocinados por Eduardo Cunha. O deputado do PMDB reagiu com ataques à "incompetência" dos diretores de Furnas ligados ao PT. Ao longo da semana, Garotinho fez comentários sobre a disputa em Furnas e Cunha disse que gostaria de relatar reuniões que já teve com o ex-governador. Começou, então, o bate-boca entre os antigos companheiros.

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