Disputa pelo PMDB em SP vira campo de batalha

A disputa travada entre os comandos de campanha dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) pelos palanques do PMDB nessas eleições está se transformando em um verdadeiro campo de batalha. Incomodados com a passividade da ala ligada ao deputado Michel Temer - nome mais cotado para ser vice de Dilma - em unir o partido em torno da ex-ministra no maior colégio eleitoral do País, dirigentes do PT decidiram partir para a ofensiva e estão atraindo correligionários da sigla para seus eventos. O objetivo é tentar barrar o desembarque dos peemedebistas na campanha de Serra, já que o presidente estadual da legenda, Orestes Quércia, apoia o tucano neste pleito e vai concorrer ao Senado na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB).

ELIZABETH LOPES E GUSTAVO PORTO, Agência Estado

14 Maio 2010 | 19h06

A ofensiva do PT será colocada em prática amanhã, em Araçatuba (SP), no primeiro dos 10 encontros políticos para definir o plano de governo da candidatura do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes. Apesar de o evento ser petista, uma das grandes estrelas do encontro será o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB). A participação de Rossi - apadrinhado de Michel Temer e que defende abertamente o apoio de sua legenda à Dilma Rousseff nessas eleições - é um exemplo do assédio do PT sobre os setores contrários a Orestes Quércia.

Ao saber do assédio petista sobre correligionários de seu partido, Orestes Quércia reagiu: "Posso garantir que mais de 90% do PMDB em São Paulo está com Quércia, eles (ala contrária) podem tentar lutar, como já tentaram outras vezes, mas não vão conseguir." Num contraponto a essa posição, o ministro Rossi rebate dizendo que "70% do PMDB paulista" é contra a postura assumida por Quércia, de apoio aos tucanos. Apesar do imbróglio, o ministro ainda defende o diálogo com o seu desafeto. "Não queremos rompimento, mas queremos que ele explique o porquê apoiar um candidato em detrimento de um acordo que já dá ao PMDB Ministérios e um governo conjunto com o PT".

Ameaçador

Na troca de farpas entre os dirigentes da legenda, Quércia diz ainda que não concorda com a posição assumida pela ala do partido que apoia Dilma e os candidatos do PT. E alfineta: "Eles só tem um discurso ameaçador, que não nos amedronta. Isso só dá matéria na imprensa e nada mais." Já Wagner Rossi, insiste: "Sei que a maioria do partido terá a mesma posição minha de apoiar Dilma e Mercadante". E critica o correligionário: "Como presidente estadual do partido, ele (Quércia) não tem hegemonia e ainda dá sinais que irá apoiar o PSDB, o que não dá para entender."

Nessa disputa, também foi cogitada uma intervenção do diretório nacional sobre o paulista, para ratificar o apoio ao PT neste pleito. Quércia garante que "não há a menor possibilidade" de qualquer tipo de intervenção em São Paulo, inclusive em termos jurídicos. Segundo ele, já não é possível tentar mudar os critérios da convenção, para uma eventual mudança da posição já assumida pelo partido em São Paulo, de apoio a José Serra, pois tudo já foi ratificado. "E o fato é: quem tem força aqui, felizmente, é o meu grupo," ironiza Quércia.

O presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva, confirma a ofensiva de sua legenda sobre os correligionários do PMDB no Estado. "Fizemos o convite para o ministro Wagner Rossi para participar do debate sobre o momento agrícola e sobre as propostas de desenvolvimento rural no Estado e ele aceitou; nós nunca omitimos que vamos disputar a base do PMDB de São Paulo." E continua: "Seguimos conversando e estamos extremamente otimistas que parte significativa da base do PMDB paulista apoiará Dilma (Rousseff) e Mercadante."

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