Disputa no Congresso contrapõe PT e PMDB

Partidos ameaçam suspender apoios na disputa pela presidência

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2008 | 00h00

Em um jogo de ameaças cruzadas, PT e PMDB anteciparam a disputa pelo comando do Senado e da Câmara. Sob pressão dos petistas, que ameaçam abandonar o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), na eleição para comandar a Câmara dos Deputados em 2009 caso os senadores peemedebistas não abram mão da presidência do Senado para um petista, deputados do PMDB dão o troco. TV Estadão: Assista a entrevistas e análises Geografia do voto traz desempenho dos partidos Confira o mapa eleitoral do segundo turno pelo PaísAgora é a bancada federal que ameaça romper a parceria e desembarcar da aliança em 2010. "É bom que o PT se lembre de que Temer continuará presidindo o PMDB se não for eleito para a Câmara", alertou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "Isso vai dificultar uma aliança futura com o PT", concluiu. Ex-ministro de Lula e ex-líder do PMDB, o deputado Eunício Oliveira (CE) adverte que a Câmara tem um papel importante na atual crise financeira internacional e diz que um rompimento com o maior partido da base aliada - o PMDB - pode complicar a vida do governo. "Como lulista, vou contribuir para que cheguemos a uma solução, mas conheço a bancada e estou apenas verbalizando o que ouço: se abandonam o Michel, dão ao PMDB o direito de abandonar a coalizão, o que será muito ruim para o País", afirmou Oliveira. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o líder petista na Câmara, Maurício Rands (PE), reuniram-se ontem com Temer e o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Os dois petistas manifestaram-se dispostos a cumprir o acordo assinado pelo próprio Berzoini dois anos atrás prometendo apoio a Temer em troca da eleição do atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ao mesmo tempo, porém, insistiram que o PT não aceita ficar sem a presidência de uma das Casas. CORDA ESTICADAO que preocupa a cúpula peemedebista da Câmara é que Berzoini e Rands falaram em "esticar a corda" na tentativa de forçar os senadores a ceder espaço ao PT. O problema é que a disposição do PMDB do Senado é a mesma: "esticar a corda" em defesa da tese de que as regras regimentais garantem ao maior partido, que tem 21 dos 81 senadores, o direito de indicar o presidente do Congresso. A mesma expressão também fora citada em outra conversa realizada na véspera para discutir sucessão. Temer e o deputado Eduardo Cunha jantaram na segunda-feira com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O presidente do PMDB queria saber até onde os senadores do partido, tendo à frente Renan Calheiros (PMDB-AL), estariam dispostos a insistir em comandar a Casa, com o argumento de que são donos da maior bancada, embora tenham candidato. A conclusão foi que o PMDB do Senado vai insistir na candidatura própria, comprometendo ainda mais a relação com o PT, que exige a partilha do comando do Congresso. Esse cenário aponta para um confronto iminente entre petistas e peemedebistas nas duas Casas. Nos bastidores, deputados do PMDB já protestam contra o PT e a bancada do Senado, que querem "esticar a corda no pescoço de Temer". A cúpula da Câmara irritou-se particularmente com uma declaração feita ao Estado pela líder petista no Senado, Ideli Salvatti (SC). "O PMDB que brinque para ver", desafiou a senadora, ao cobrar reciprocidade do aliado na indicação do petista Tião Viana (AC) para presidir o Senado.

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