Disputa impede retirada de soro de área invadida pelo MST

Uma disputa entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal impediu hoje a retirada dos armazéns da Conab do estoque de soro, utilizado pela rede pública hospitalar do Distrito Federal. Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, que invadiram na última terça-feira a área onde ficam os galpões da Conab em Brasília, permitiram que o governo do Distrito Federal entrasse no local para a retirada do material. No entanto, a Conab se recusou a abrir os armazéns.O chefe do departamento jurídico da Secretaria de Saúde do DF, Paulo de Souza, foi ao local para acompanhar a retirada do estoque de soro. Ele entrou em contato, por telefone, com o gerente regional da Conab, Ricardo Tomé, que colocou empecilhos à iniciativa do Governo local. "O pessoal dos sem-terra já liberou (a entrada), a Conab que não quer colaborar", argumentou Paulo de Souza, pelo telefone, e sempre apoiado pelos MST. Pouco depois, Souza contou que recebeu a informação da Procuradoria da Conab de que um funcionário da Companhia abriria os galpões e que, para isso, seriam tomadas medidas de segurança para evitar que os Sem Terra invadissem os armazéns.No entanto, o desfecho foi diferente. Um servidor da Conab, que não quis se identificar, acusou o chefe do departamento jurídico da Secretaria de Saúde do DF de querer invadir os armazéns. Mais tarde, pelo celular, o advogado da Secretaria de Saúde foi avisado para deixar o local. Segundo Souza, o presidente da Conab, Luis Carlos Guedes Pinto, teria se queixado à governadora em exercício, Maria de Lourdes Abadia, de que ele estava criando confrontos e ameaçava invadir os armazéns para retirar o soro. "Estamos aqui com a autorização da Conab", garantiu o advogado. "Se alguém morrer, a Conab será responsabilizada", disse Souza, se referindo a possibilidade de faltar soro nos hospitais.A assessoria de imprensa da Conab garantiu que não houve autorização para que o soro fosse retirado. A empresa argumentou que como há material químico e inflamável nos armazéns haveria risco de incêndio. Para a Conab, o governo do Distrito Federal pode esperar a desocupação por via judicial uma vez que tem feito circular pela imprensa que o estoque de soro nos hospitais é suficiente para atender a população por uma semana.

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