Disputa da Câmara vai para 2º turno com Aldo e Chinaglia

A disputa pela presidência da Câmara Federal foi para o segundo turno com os candidatos Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que tenta a reeleição, e Arlindo Chinaglia (PT-SP). Para se eleger no primeiro turno, o candidato precisaria de 257 votos. Aldo teve 175, Chinaglia 236 e Fruet 98. Votos brancos somaram 3. Estavam presentes 512 deputados e ganha a disputa quem tiver metade mais um dos votos dos presentes. Logo após o anúncio do resultado da votação, os deputados já passaram a votar o segundo turno. A eleição marca o rompimento do PC do B e do PSB com o PT, historicamente ligados, no confronto direto entre Aldo e Arlindo. O embate, qualquer que seja o vitorioso, deixará seqüelas para o Planalto administrar. Coordenadores da campanha petista avaliavam que um segundo turno com Aldo dificultaria a vitória de Chinaglia, por causa de um ´sentimento anti-PT´ na Câmara. Na única vez em que o partido venceu uma disputa no voto secreto, em 2003, João Paulo Cunha (SP) foi o único candidato. Em caso de segundo turno, o PSDB, partido de Fruet, com 64 deputados, será decisivo. O líder dos tucanos, Antonio Carlos Pannunzio (SP), adiantou ao Estado que a bancada estará liberada para votar em quem quiser, caso Fruet seja derrotado. Chinaglia tem o apoio formal do maior número de partidos, mas todos os concorrentes contam com votos de dissidentes nas bancadas. Em seu discurso antes do início da votação, Aldo defendeu o equilíbrio das forças políticas na Casa. Disse que não tem projeto pessoal e que receberá com resignação a decisão de seus colegas. Ele lembrou que esteve sempre alinhado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que sua história é de lealdade. Aldo disse ainda que o que o separa dos outros candidatos são idéias, conceitos e opiniões sobre o que deve constituir a casa do povo brasileiro. Ele ressaltou também que exerceu a presidência da Casa em momento de crise política do País e da Câmara. "Poderia dizer que mais presidi a crise do que a Casa", disse. Aldo lembrou em seguida que a cada quarta-feira era julgado um processo de cassação de mandato parlamentar. Lembrou ainda que enfrentou a invasão e depredação da Câmara sem citar, no entanto, o Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), organização que comandou a invasão e depredação do prédio. Chinaglia Já Chinaglia, em seu discurso antes da votação, tratou como assunto encerrado a série de escândalos que marcou a legislatura passada e o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A página da crise está virada, é da legislatura passada", afirmou. Indiretamente, Chinaglia saiu em defesa de deputados inocentados em processos de cassação de mandato na legislatura passada e disse que não aceitará críticas injustas ao Parlamento. "Não vamos assistir passivamente a ataques injustos", discursou. "Não podemos admitir que um deputado que não tem nada a ver com a crise seja caracterizado (como tal) por outro deputado", insistiu. Outro ponto do discurso do petista foi a defesa da total autonomia do Poder Legislativo. "Quem disse que o governo manda aqui?", afirmou Chinaglia, que é líder do governo na Câmara. "Quem disse que o Executivo é superior ao Legislativo? Quem disse que o Judiciário tem o poder de legislar?", prosseguiu o candidato. "Não posso conceber um Parlamento acuado, pautado por quem quer que seja que não sejam os interesses do povo brasileiro." Colaboraram Denise Madueño e Luciana Nunes Leal

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.