Disposta a concorrer, Marta ainda quer PMDB

Apesar das intenções do PMDB de lançar candidato próprio à Prefeitura de São Paulo, o PT da ministra do Turismo, Marta Suplicy, não desistiu de trazer a sigla para o seu palanque. Decidida a aceitar a candidatura, porém sem pressa de torná-la oficial, a ex-prefeita avalia que a aliança com peemedebistas seria a chave para colocá-la em vantagem na disputa.Com o aval de Marta, um grupo de petistas espera abrir uma nova frente de negociação com o PMDB de São Paulo, liderado pelo ex-governador Orestes Quércia. Se não der para conseguir um acordo oficial no primeiro turno - uma possibilidade que até o PT reconhece como bastante remota -, a idéia é ao menos engatilhar um acordo para o segundo turno.Aliados da ministra reconhecem como natural a intenção do PMDB de puxar votos e garantir o número 15 na legenda de vereadores com uma candidatura. Mas avaliam que a estratégia esconde, pelo menos em parte, a intenção de "aumentar o passe" da sigla nas negociações que cercam a prefeitura.Para viabilizar a aliança, o grupo de Marta aposta em duas frentes. A primeira é dar a Quércia garantia de que seu grupo terá "participação efetiva" no governo. A idéia de colocar a vice na mesa de negociações não está totalmente descartada, mas alguns petistas insistem em que o melhor é manter a vaga nas mãos do partido. Assim, a administração municipal seria mantida, mesmo que Marta eventualmente deixe o cargo para concorrer em 2010.A segunda aposta passa pela esfera federal. Petistas avaliam que a disposição do grupo de Quércia depende diretamente da relação entre o PMDB e o governo Lula. Nesse sentido, aliados de Marta comemoraram a notícia da nomeação para a diretoria da Eletrobrás do ex-prefeito Miguel Colasuonno, aliado de Quércia. Enquanto isso, a ministra mantém o suspense. Em visita a São Paulo na sexta-feira, limitou-se a dizer que ainda tem tempo. "Ainda não me decidi, estou ouvindo pessoas."PRAZONo PMDB, as portas de fato não estão fechadas. "Sempre podemos conversar. Não vejo problema", disse Quércia. Mas o prazo, segundo ele, é curto. "Se nosso candidato for escolhido e anunciado, aí não terá mais volta." No fim de janeiro, a Executiva do partido decidiu ter candidato próprio e estabeleceu prazo de 30 dias para escolhê-lo.Seriam consultados o deputado Michel Temer (SP), presidente do partido, e a candidata derrotada ao Senado, Alda Marco Antônio. A primeira opção já caiu por terra. "Não está nos meus projetos ser candidato a prefeito, pelo menos neste momento", disse Temer. Alda, por sua vez, ficou animada com a chance de ser escolhida.

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