Discussões terão a presidente como condutora, diz novo ministro

Titular do Planejamento fará contraponto a Barbosa, mas acredita que não haverá divergências

Entrevista com

Valdir Simão

Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2015 | 19h11

BRASÍLIA - Indicado para o Ministério do Planejamento, o controlador-geral da União Valdir Simão quer fazer rápido o dever de casa e tomar pé da situação para evitar qualquer ruptura na gestão. 

Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Estado, Simão, que é advogado e auditor fiscal, cita a experiência que teve à frente do INSS e da Controladoria-Geral da União para mostrar que tem muito a contribuir em reformas como a da Previdência e na maior eficiência dos gastos públicos. "Acredito que isso me dá credencial", afirma. 

O ministro fará contraponto a Nelson Barbosa, que ganhou a queda de braço com Joaquim Levy, mas acredita que não terá divergências na equipe econômica. "Essas discussões serão consensuadas (sic), tendo a presidente como condutora", completou. 

O senhor passou o dia reunido com a equipe do Planejamento para tomar pé da situação. Qual o diagnóstico? Quais as prioridades agora?

Simão: Foi possível identificar as providências imediatas para o encerramento do exercício e tomar pé para que possamos começar com todo gás. A redução de despesas é algo que temos que buscar todos os dias, não basta ter eficiência nas despesas discricionárias, vamos ter que discutir também as obrigatórias. Na área da Previdência, precisamos discutir mais profundamente. Fui presidente do INSS por duas vezes e tenho formação na área previdenciária, é uma área que posso contribuir. Vamos tentar ganhar eficiência na melhoria da gestão dos programas, para evitar desperdícios. Temos a experiência da CGU que participava de comitês de análise do gasto, da reforma administrativa. Acredito que isso me dá credencial. 

O ministro (do Planejamento, indicado para a Fazenda) Nelson Barbosa discordava em muitos pontos de Joaquim Levy, e acabou ganhando essa disputa. Que autonomia a presidente Dilma Rousseff deu para que o senhor conduza o ministério e participe das discussões com Barbosa na junta orçamentária?

O Ministério do Planejamento tem um papel central e decisivo nas discussões. Essas discussões serão consensuadas (sic), tendo a presidente como condutora maior da política econômica. Não acredito que a gente terá dificuldade no entendimento. Temos uma percepção de que é necessário reduzir gasto e eu tenho uma experiência de busca de eficiência. Não acredito que teremos discordâncias e aquelas que tivermos serão equacionadas da melhor forma.

O senhor discutiu com Barbosa como será feito o pagamento dos recursos em atraso, as chamadas pedaladas fiscais? Qual a posição do senhor sobre o assunto? 

Ainda não tem uma decisão técnica em relação a esse assunto, as equipes estão analisando. Prefiro não me manifestar até todos os números estarem fechados, mas esse é um tema que tem que ser resolvido rapidamente. 

O senhor vai perseguir a meta de 0,5% do PIB? O orçamento de 2015 prevê entre as receitas a CPMF, o senhor acha que a contribuição será aprovada?

Temos que buscar realizar aquilo que está previsto no orçamento. Essa é a ideia, vamos cumprir a meta, foi aprovado na lei e temos que perseguir. A CPMF está prevista no orçamento e essa é uma discussão que teremos que aprofundar.

A reforma administrativa ainda não foi concluída.

Houve uma redução de ministérios que precisa ser implementada, não pode ficar só no desenho. Há também um esforço de redução de cargos comissionados, a ideia é acelerar esse processo. Queremos buscar atingir as metas que foram anunciadas, é uma prioridade. 

O senhor é auditor da Receita Federal, que é uma das categorias mais insatisfeitas em relação a salários. Como serão as negociações de reajuste com os servidores? Tem espaço para reajustes maiores do que o acordo proposto, de 5,5% em 2016?

Cerca de 85% dos servidores já fecharam acordo. Faltam algumas categorias importantes, o ministério tem trabalhado para buscar o entendimento possível, isso é uma coisa que precisamos fechar. Vamos tentar equacionar. Acredito que o ministério já chegou ao limite do que poderia oferecer 

O senhor já decidiu quem integrará sua equipe? 

Discutimos isso muito rapidamente, não temos nada decidido. Espero quando da posse [na segunda-feira] já ter decidido os principais nomes.

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