'Discussão sobre 3º mandato não tem cabimento', diz Tarso

Ministro da Justiça diz que esta discussão é 'contra a orientação que Lula tem dado a todos os ministros'

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

29 Outubro 2007 | 13h50

O ministro da Justiça, Tarso Genro, rejeitou nesta segunda-feira, 29 a proposta de alguns parlamentares da base governista de se alterar a Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa se candidatar a um terceiro mandato. "Não tem o menor cabimento. É uma discussão absolutamente impertinente, desnecessária e contra a orientação pessoal que o presidente (Lula) tem dado a todos os ministros", afirmou Tarso, em entrevista na sede da Polícia Federal, em Brasília.   A Constituição não permite que presidentes da República, governadores e prefeitos se candidatem a um terceiro mandato consecutivo.   Sobre a Polícia Federal, Tarso disse que o órgão "teve e continua tendo um protagonismo muito grande" e que, agora, está tratando de "adequar esse protagonismo ao respeito aos direitos constitucionais das pessoas que estão sendo investigadas, para se evitar que a investigação se torne um julgamento antecipado."   O ministro lembrou que um manual de procedimentos operacionais recentemente editado sintetiza toda a "experiência extraordinária" anterior da PF. E comentou que a Polícia Federal já vem mudando alguns procedimentos:   "Você percebe que as últimas operações (da PF) foram tão importantes quanto outras realizadas, mas as informações foram transmitidas à imprensa de maneira institucional (sem pirotecnia) para todo mundo da mesma forma, sem qualquer privilégio e resguardando as pessoas para que não sejam julgadas antecipadamente", afirmou Tarso.   Operação Persona   O governo não teme impacto político resultante do inquérito da Operação Persona, que desmantelou esquema de fraudes em importação de equipamentos de informática adquiridos da multinacional Cisco System para grandes redes no Brasil e para órgãos públicos. As fraudes que teriam causado prejuízos à Receita Federal no valor de R$ 1,5 bilhão em sonegação. "Não tenho qualquer avaliação de impacto político que esse tipo de investigação possa causar", disse Tarso Genro.   Durante a investigação, escutas telefônicas de alguns envolvidos revelaram que empresas teriam feito uma doação de R$ 500 mil ao PT em troca de favorecimento em uma licitação da Caixa Econômica Federal (CEF). "A orientação que a PF tem é de que aqueles fatos paralelos que aparecem no inquérito sejam investigados. Caso a Justiça assim decida, a PF vai investigar, seja de quem for e para onde for", afirmou o ministro, após abrir o seminário que a Polícia Federal realiza, em Brasília, de hoje até quarta-feira, para definir seu planejamento para os próximos 15 anos.   O ministro elogiou a atuação da PF, afirmando que é "um exemplo de instituição republicana" que alcançou "alto nível de respeitabilidade" perante a população e precisa também de ter previsibilidade na sua ação.

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