Discussão sobre 2010 'atrapalha' e tira foco da crise, diz Serra

Governador é um dos nomes para a sucessão; ele está em Curitiba para assinar termo no setor tributário

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

16 de março de 2009 | 14h37

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), apontado como um dos prováveis candidatos à sucessão na Presidência da República, disse ontem (16), em Curitiba, que a antecipação da discussão eleitoral não é boa para o Brasil, em razão da crise econômica. "Não acho boa essa antecipação, pois tira o foco do trabalho da crise, que é a mais séria desde o começo dos anos 30", afirmou o governador paulista. Na capital paranaense, ele assinou um termo de cooperação tributária com o governador Roberto Requião (PMDB) e fez uma visita ao prefeito Beto Richa (PSDB).

 

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Serra falou de política no gabinete de Richa. Ele acentuou que é normal haver uma mudança de clima às vésperas das eleições. "Mas não estamos em vésperas", disse. "Claro que o ano anterior é um ano político, de conversas, mas não é para criar clima porque dificulta a ação cooperativa para o enfrentamento da crise." Ele destacou, no entanto, que não se deve confundir seu posicionamento com um possível não interesse em ser candidato. "Nada disso. É só um problema de ênfase, daquilo que vai dominar", ponderou. "Pode ser que venha a ser candidato no ano que vem. É possível. Mas neste momento estou concentrado na minha administração em São Paulo."

 

Perguntado se a antecipação do debate eleitoral já estaria atrapalhando no encontro de uma solução para a crise, Serra foi enfático: "Já (está atrapalhando), sem dúvida nenhuma." Mas não foi tão direto quando questionado se o governo federal não estaria, a partir de seu posicionamento, tão preocupado com a crise, visto que é acusado de antecipar a disputa eleitoral com as constantes viagens da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como candidata do PT.

 

"Não vou dizer que não tem preocupação, o problema é o caminho que escolhe", disse. "Minha missão não é dar combate político ao governo federal, minha missão é administrar São Paulo e cooperar para que o Brasil sofra menos com a crise." Segundo ele, a relação com o governo federal é "normal" até o momento. "Na vida pública, se alguém tem alguma coisa boa fazendo, não tem direitos autorais", afirmou. "Nós temos, inclusive, apresentado ideias positivas, meu espírito é de ajudar a enfrentar a crise, mas é enfrentar a crise, não é já, agora, levar para o Fla-Flu, para a questão eleitoral."

 

Com Requião, Serra disse ter conversado unicamente questões administrativas. "Temos boas relações históricas com o PMDB do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o Requião é um colega, sempre tivemos relação cordial, cada um com seu temperamento, mas não significa que haja algum entendimento político hoje", destacou. O termo de cooperação assinado pelos governadores institui o regime de substituição tributária em operações interestaduais. Os fabricantes passam a recolher antecipadamente, em benefício do Estado vizinho, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que seria pago nas etapas de comercialização. O acordo começa com alguns produtos, mas outros serão incorporados posteriormente.

 

"É um acordo vantajoso para os dois porque não aumenta a carga tributária e ajuda o Estado, melhorando a arrecadação, na medida em que combate a sonegação", disse Serra. "É uma política interessante, uma modificação do sistema de cobrança, e isso garante que os mais pobres possam comprar por preços menores", acrescentou Requião. A expectativa é que haja um acréscimo de R$ 100 milhões na arrecadação mensal de São Paulo e de R$ 15 milhões no Paraná.

 

Texto atualizado às 16h20

 

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