Discussão entre Tasso e Jutahy reforça crise interna no PSDB

Um bate-boca entre o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o líder do partido na Câmara, Jutahy Júnior (BA), na reunião de terça-feira da Executiva Nacional explicitou o racha entre os tucanos que vem crescendo desde a eleição presidencial e abriu uma nova crise interna. Tasso chamou o líder de "traidor" que retribuiu com acusação de falta de comando do senador. A discussão começou quanto Tasso tentou votar uma resolução interna proibindo a participação ou apoio do partido nos Estados que serão governados por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Ao perceber que a resolução seria contra o PSDB da Bahia que está apoiando o governo do petista Jaques Wagner, o líder reagiu: "Tem uma expressão popular que diz que jabuti não sobe em árvore. Se estiver no alto é enchente ou é mão de gente. Vamos deixar claro, então, que esta resolução é específica para a Bahia". O deputado aproveitou para fazer um relato detalhado do processo político baiano e que o PSDB deveria ajudar o governador eleito, já que considerava salutar o fim da oligarquia carlista (seguidores do senador Antonio Carlos Magalhães) e a perspectiva de modernização agora do Estado."Você está se sentindo melindrado", emendou Tasso, ao que Jutahy Júnior respondeu: "O que me estranha é que isso tudo é do interesse de ACM". O PSDB baiano é adversário histórico de ACM e não vê com satisfação a relação estreita do senador pefelista com Tasso Jereissati."Eu não agüento mais isso no partido. Esse Jutahy é um criador de casos e já deveria ter saído do PSDB. Ele traiu Fernando Henrique em 1994", rebateu Tasso, esquentando ainda mais a discussão, presenciada por todos os integrantes da Executiva. Antes disso, o senador já havia sido acusado pelo deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) e pelo próprio Jutahy da falta de comando e de diretriz do PSDB no segundo turno da campanha presidencial.Irritado, Jutahy Júnior reagiu de pronto e lembrou que Tasso traiu José Serra quando, mesmo depois de participar da convenção que indicou seu nome à Presidência da República, em 2002, deixou a campanha no meio para apoiar Ciro Gomes (PPS). "Eu nunca trai ninguém", respondeu Jutahy diante da acusação de Tasso. "Fiz uma dissidência e comuniquei na época ao próprio Fernando Henrique. Posso ter errado, mas traidor nesta sala a gente sabe quem é"."Você é incoerente e vem de uma oligarquia", disse Tasso, numa alusão à família de políticos de Jutahy, especificamente seu avô Juracy Magalhães e o pai Jutahy Magalhães, ambos falecidos. O deputado não se conteve e acusou Tasso de não ter "vocação democrática, não tem capacidade para presidir o partido". O bate-boca entre os dois tucanos teve repercussão na bancada que passou esta quarta em conversas de bastidores. "Agora você está virando meu herói", brincou o deputado Xico Graziano ao abraçar Jutahy. A cena revela a insatisfação de setores do PSDB a Tasso Jereissati, principalmente a ala vinculada a José Serra.

Agencia Estado,

29 de novembro de 2006 | 19h28

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