'Discussão do fim da CPMF é demagógica', diz Ciro Gomes

Deputado federal declarou nesta quarta que, se não tivermos o dinheiro do imposto, o País quebra'

MILTON F. DA ROCHA FILHO, Agencia Estado

14 de novembro de 2007 | 10h00

A discussão para eliminar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é "demagógica" e não atinge a essência do problema - uma análise profunda para uma reforma tributária no País. A opinião é do deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB).   O deputado participou de reunião do comitê estratégico de Diretores Financeiros da Câmara Americana de Comércio (Amcham) de São Paulo e depois analisou a discussão da CPMF no Congresso, chegando a declarar: "Se não tivermos o dinheiro da CPMF o País quebra."   Veja também: Entenda como é a cobrança da CPMF  Veja quem votou a favor e contra a CPMF na CCJ Após Mozarildo, Simon vira novo 'alvo' e sai da CCJ Governo e aliados fecham acordo para aprovar a CPMF na CCJ Com acordo, líder prevê votação da CPMF em dezembroPara Ciro Gomes, a questão da CPMF no Congresso "trata-se de um debate muito mal colocado". "No meu ponto de vista, o sistema tributário brasileiro é bastante ruim, ineficiente. Ele onera o trabalhador e desestimula o desenvolvimento do País. Este é o verdadeiro debate que deve ser colocado, e a CPMF deve ser posta neste contexto, no conceito de equilíbrio das contas públicas. O que vemos é que, infelizmente, o debate decai para uma demagogia absolutamente perigosa para o País", afirmou. Segundo o deputado, a demagogia "é que dadas as imperfeições da CPMF, que é uma contribuição imperfeita tecnicamente, parece que o que se discute é a melhor alternativa de modelo tributário, o que não é verdade absolutamente. O que está em discussão é se deve ou não ser renovada a CPMF".RejeiçãoPressupondo que a CPMF não seja aprovada no Congresso, "considerando-se a parte de cima da linha de equilíbrio do orçamento público, esteriliza-se todo o superávit primário, interrompe-se a queda na relação Dívida/PIB (Produto Interno Bruto), leva-se a uma política monetária mais apertada, ou seja, aumento das taxas de juros", afirmou Ciro Gomes.   "Isto significa destruir o atual momento de crescimento econômico e o projetado nos próximos dois ou três anos, para um patamar medíocre de aumento do PIB, da ordem de 2,5% ao ano. Na prática pode significar uma eventual recessão ou mesmo uma potencial inflação."O deputado entende que a CPMF precisa ser renovada. "Acredito que a idéia da diminuição gradativa da contribuição é positiva, mas seria preciso fazer um debate final sobre a reforma tributária." No âmbito da reforma tributária, Ciro Gomes lembrou que defende há anos a criação do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA).

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