Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Discursos contra Dilma tinham tons diversos

Ao longo da Avenida Paulista, grupos pregavam deposição da presidente por militares, impeachment e também faziam críticas contra governo

Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho , O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 22h01

São Paulo - Quem cruzou neste domingo, 31, a manifestação na Avenida Paulista do começo ao fim ouviu discursos com diferentes tons contra a presidente Dilma Rousseff nos oito carros de som dos organizadores. 

Logo no início do trajeto, na esquina da Avenida Consolação, dois carros de som de ativistas autodenominados “Militaristas” pregavam a deposição, pelo Exército, da presidente, do vice, Michel Temer (PMDB), e dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). 

Em seguida, os trios elétricos dos grupos Revoltados On Line, Endireita Brasil, Movimento Brasil Livre e do partido Solidariedade pediam o impeachment da presidente e entoavam cantigas contra o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era chamado de “Sapo Barbudo”. 


O epicentro do ato, entretanto, aconteceu em torno dos carros do movimento Vem Pra Rua, que tem uma orientação mais moderada e não defende o impeachment. Foi lá que se concentraram artistas globais, celebridades e lideranças de diversos segmentos sociais. 

Para evitar identificação com os grupos mais radicais, os políticos de oposição, como os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) optaram por circular no trecho da Paulista liderado pelo VPR. 

Os oradores do grupo que se revezaram ao microfone pregaram contra a corrupção, criticaram “a incompetência” da presidente, defenderam a reforma política e chamaram palavras de ordem contra a corrupção. 

Próximo passo. Embalado com o sucesso da manifestação, o Movimento Brasil Livre anunciou que fará outra manifestação na Avenida Paulista no dia 12 abril. Líder do grupo, o empresário Renan Santos, de 30 anos, disse que no próximo ato promoverá um abaixo-assinado com um pedido de impeachment de Dilma para encaminhar ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). 

Já Rogério Chequer, porta-voz do VPR, diz que ainda não sabe quando organizará outra manifestação. “Estamos analisando várias possibilidades, mas não necessariamente serão eventos de massa”, diz. 

O ativista não planeja levar nenhum abaixo-assinado até Brasília, mas acredita que o recado foi dado. “O legislativo não pode ignorar o que está acontecendo neste dia de hoje.”

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