Discurso terá convocação à militância

'A convenção é a porta de entrada da campanha, cabe ao candidato fazer esse chamamento', argumenta o presidente do PSDB

Christiane Samarco e Julia Duailibi / O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h01

Desafiado a recuperar a liderança nas pesquisas, o tucano José Serra lança sua candidatura presidencial hoje, em Salvador, apresentando-se como o nome capaz de gerar mais crescimento e emprego. Subirá ao palco da convenção tucana ao som do novo jingle da campanha, Eu quero Serra: "Serra, porque é correto e boa gente, Serra porque é o mais competente".

 

Ainda conduzindo nos bastidores a articulação para definir o nome de seu vice, o ex-ministro da Saúde, ex-prefeito paulistano e ex-governador de São Paulo entra pela segunda vez na corrida sucessória, aos 68 anos, como o nome da oposição capaz de garantir as conquistas do governo Luiz Inácio Lula da Silva e avançar, porque "o Brasil pode mais".

 

No encontro dos partidos aliados de 10 de abril, em Brasília, Serra apresentou seu ingresso informal na disputa pela Presidência da República com um discurso apontando para os rumos que o País deveria seguir. Citou temas que foram da segurança pública a políticas para pessoas com deficiência.

 

Na convenção partidária que marca o início oficial da campanha – pela Lei Eleitoral a disputa só começa após as convenções nacionais de junho –, ele fará discurso mais político, conclamando os militantes à batalha eleitoral.

 

Atitude. "A convenção é a porta de entrada da campanha, cabe ao candidato fazer esse chamamento", declarou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), coordenador da campanha. "E a escolha da Bahia para sediar a convenção não é uma coisa neutra. Ela envolve uma atitude", emenda o senador, confirmando que o objetivo é "vincular Serra à Bahia colorida, nordestina, brasileira e miscigenada".

 

Em sua fala, Serra vai adotar um tom intimista e coloquial, com foco nas classes de renda mais baixa. Falará da infância humilde e da ação pública, destacando a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar o seguro-desemprego. A ênfase em programas sociais capazes de fomentar o desenvolvimento pretende mostrar Serra como o candidato com mais condições de fazer a economia crescer e aumentar a distribuição de renda.

 

Para dar caráter abrangente à candidatura e falar mais diretamente ao eleitorado do Nordeste, onde seu desempenho é mais frágil, os tucanos contrataram artistas regionais e prepararam discursos em que a palavra de ordem é Brasil. O Hino Nacional deverá ser entoado pelo Coral do Bonfim e as atrações populares incluem um sanfoneiro de Pernambuco e um repentista do Ceará para enfatizar o tom regional ao encontro. A ideia é dar destaque à cultura regional. Bem diferente da pré-convenção de abril, em que a apresentadora do encontro foi a modelo gaúcha Ana Hickmann.

 

Vídeo. Em viagem a Madri, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não irá ao encontro, mas a militância não ficará sem uma mensagem do comandante de honra do PSDB. Antes de seguir para Paris, onde vai comemorar o aniversário com a família, no dia 18, ele deixou gravado um vídeo a ser exibido no evento.

 

O ex-presidente vai falar sobre a origem humilde de Serra para salientar que, ele tem compromisso com o povo e com os mais pobres. A mensagem será: "Serra pode avançar mais porque é o mais competente."

 

Na tentativa de garantir exposição para Serra – os tucanos acham que mais tempo de TV o ajudará a se recuperar nas pesquisas de intenção de voto –, também marcaram a convenção no sábado para garantir bom expaço nos telejornais da noite. Apostam que a audiência será maior que a dos programas dominicais. São esperadas 4 mil pessoas no Clube Espanhol, local alugado para a convenção ao custo de R$ 600 mil.

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