Discurso de FHC sobre escolha de candidatos beneficia Alckmin

Ao falar para uma platéia devereadores tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardosoafirmou nesta sexta-feira que as indicações de candidatos paraprefeitos neste ano serão feitas pelas bases do PSDB e não pelacúpula. Se implantada, a medida deve beneficiar o ex-governadorGeraldo Alckmin em sua cruzada para disputar a prefeitura deSão Paulo. "Eu não tenho dúvida. Nós vamos voltar ao poder e 2008 é oprimeiro passo da arrancada que vai chegar em 2010. E vamosunidos ao redor dos candidatos que vocês decidirem. Não é acúpula que vai decidir", disse Fernando Henrique em discurso,referindo-se às eleições municipais deste ano e para governadore presidente daqui a dois anos. Entre as principais queixas de integrantes do PSDB está osistema de decisão partidária, concentrado em torno de umpequeno grupo. Além de FHC, compõem a cúpula os governadoresJosé Serra (SP) e Aécio Neves (MG) e o senador Sérgio Guerra(PE), presidente da legenda. Alckmin corre por fora e vem atraindo integrantes da base edas camadas intermediárias da legenda, mesma atuação de 2006,quando contrariou a direção, que queria Serra, e acabouescolhido candidato à Presidência da República. "Ele só não será candidato se não quiser ser candidato",afirmou a jornalistas o deputado federal Mendes Thame,presidente do PSDB paulista. Nesta tarde, Serra também afirmou que "se o Alckmin decidirser candidato, ele será." Thame descarta pressões de Serra para que a legenda abdiquede uma candidatura em São Paulo e apóie o atual prefeito,Gilberto Kassab, do DEM. "Alckmin terá o respaldo do PSDBunido, sem nenhuma discussão." Sérgio Guerra diz que o PSDB apoiará Alckmin em qualquer desuas escolhas, seja para prefeito neste ano ou para governadorem 2010, como preferem Serra e FHC. "Esta é uma questão de São Paulo, mas acho que se o GeraldoAlckmin desejar ser candidato o será, com certeza", disse.Quanto à possibilidade de a legenda aderir à uma candidatura deKassab, Guerra se esquivou. "Eu só penso no PSDB, o DEM não éassunto meu." A negociação com o DEM é defendida pelo líder da bancada noSenado, Arthur Virgílio (AM), "para vermos o que é melhor." Osenador considera "uma bela decisão" se Alckmin preferirconcorrer a governador em 2010 e decidir apoiar Kassab, mas seele se impuser, será o candidato da legenda. "Serviu para ser nosso candidato a presidente e não servepara ser nosso candidato em São Paulo?" questionou. Novo líder da legenda na Câmara dos Deputados, José Aníbal,eleito com o respaldo de Alckmin, afirma que o partido não podeabrir mão de uma candidatura na capital, uma vez que há umaresolução da sigla, de agosto de 2007, que determina a disputaem todos os municípios, especialmente aqueles com mais de 100mil habitantes. "É isso que vale", disse. Apesar de ter sido convidado, Alckmin faltou ao encontro devereadores alegando compromissos em universidades. Conversoucom Guerra pelo telefone e marcaram uma conversa para a semanaque vem, segundo um assessor. (Edição de Mair Pena Neto)

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