Discurso dá novo fôlego ao peemedebista

Após a fala, clima era de que prevaleceu conchavo para salvar Sarney da crise

Vannildo Mendes e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

06 de agosto de 2009 | 00h00

No PMDB e entre os líderes da base aliada do governo no Congresso, o que inclui o PT, era visível a sensação de que o pronunciamento de José Sarney (PMDB-AP) ontem aumentou a musculatura do presidente do Senado para sobreviver à crise.O mais entusiasmado era o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Ele tomou conta da cena", disse, lembrando que em nenhum momento do discurso Sarney foi contestado ou aparteado. "Espero que o apelo de paz tenha sensibilizado a Casa", acrescentou Jucá, para quem a atitude do presidente do Senado reforçou os governistas e enfraqueceu a oposição.Para o líder da tropa de choque sarneysista, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o discurso foi um pronunciamento convincente para quem quer se convencer. "Para quem não quer, paciência", disse ele, observando que esse é o caso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), ferrenho defensor da saída de Sarney. Na opinião do parlamentar gaúcho, "foi um discurso de rotina, que não soma nem diminui". Ele acha que foi um pronunciamento épico, que ficaria bom para a academia, não para um parlamento em crise.TERMÔMETROMesmo entre os oposicionistas, ficou a sensação de que o momento foi favorável ao presidente do Senado. "Foi o dia do Sarney", reconheceu, resignado, o senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM.Ele achou, porém, que o discurso foi insosso. "Foi um voo de pássaro, insuficiente ainda para enfraquecer a consistência das acusações", avaliou.Para os aliados de Sarney, a grande vitória do discurso foi ter colaborado para deixar menos tenso o clima conflagrado do Senado. "O plenário se mostrou sensível ao apelo de paz", disse Jucá. Para o senador Osmar Dias (PR), líder do PDT, cuja posição cautelosa tem sido usada como termômetro da tendência da Casa, o discurso foi mais forte do que no início da crise, há três meses. "Mas não vai mudar a posição porque as posições já estão tomadas", observou, sem antecipar em favor de quem.Na opinião do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), Sarney fez igual a qualquer acusado: negou."Para saber se ele falou a verdade ou mentiu, era preciso investigar, mas as denúncias foram engavetadas pelo engavetador do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ)", atacou o senador Demóstenes.

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