Discreto, ele nem sempre votava com a maioria

PERFIL

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

02 de setembro de 2009 | 00h00

Discreto, exigia rigor daquele que o visitasse em seu gabinete de trabalho - fazia questão que o interlocutor seguisse à risca etiquetas e costumes da toga, paletó corretamente abotoado, inclusive. Carlos Alberto Menezes Direito era assim no dia a dia do Supremo Tribunal Federal. Severo, mas respeitoso, define-o um colega da corte. Nem sempre votava com a maioria. No controverso julgamento sobre pesquisas com células-tronco, ele marcou posição com a frase: "Se pelo bem praticamos o mal, se para salvar uma vida tiramos outra, sem salvação ficará o homem."Paraense de Belém, nascido a 8 de novembro de 1942, Direito chegou ao STF em 5 de setembro de 2007, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Formou-se bacharel em direito pela PUC do Rio, em 1965. Advogou por vários anos até chegar ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Rio, que exerceu entre 1988 e 1996. Depois, durante 11 anos, ocupou cadeira de ministro do Superior Tribunal de Justiça.Muito antes da toga, Direito atuou no Executivo - foi prefeito em exercício do Rio, entre maio e junho de 1979. Também foi presidente da Fundação de Artes do Rio e integrou o Conselho Estadual de Cultura, além de presidente da Casa da Moeda, secretário de Estado de Educação e presidente do Conselho Nacional de Direito Autoral e professor titular do Departamento de Ciências Jurídicas da PUC-RJ.No STF, Direito era mais próximo dos ministros Eros Grau, Cezar Peluso e do presidente, ministro Gilmar Mendes, que ontem declarou: "Eu perco um grande amigo e perco também um grande conselheiro."Participou de outros polêmicos julgamentos como o da demarcação da área destinada aos índios na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. No início dos debates no plenário do STF, ele pediu vista dos autos. Ao retomar o caso, apresentou voto com 19 condições - medidas que agora são uma balisa para a Advocacia-Geral da União (AGU) e para a Fundação Nacional do Índio (Funai).

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