Dirigentes negam acusações e reforçam ataque a adversários

Em Limeira, assembleia teria sido forjada para fundar entidade ligada aos trabalhadores de joalherias da região

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2010 | 08h50

"Não agredi ninguém. Mas se tiver de gritar, sou mal educado mesmo." A frase é de Raimundo Miquilino. Aos 60 anos, ele recebe aposentadoria de R$ 2 mil e mais R$ 4 mil para dirigir uma federação. Preside o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, que atende dez categorias e ainda briga na Justiça para representar os trabalhadores dos postos de combustíveis do Distrito Federal.

 

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Ao receber o Estado na sexta-feira, 28, Miquilino elevou o tom nos ataques aos adversários e ao Ministério do Trabalho, que concedeu o registro para a entidade inimiga. "Não quero ser Medeiros nem Lupi. Quero fazer sindicalismo", afirma.

 

A entidade que dirige vive com uma receita de, pelo menos, R$ 500 mil por ano, segundo a prestação de contas publicada no Diário Oficial do DF.

 

O presidente do Sinpospetro - o outro sindicato dos frentistas -, Carlos Alves Santos, tem a fama de ser parceiro dos donos de postos na desfiliação da entidade mais antiga. Ele nega ligação com os patrões e rebate as acusações. "Não estamos mentindo. Eles nunca fizeram nada pela categoria." Ele mostra à reportagem boletins de ocorrência em que Miquilino é acusado de agredir trabalhadores.

 

"Fantasma". O dirigente do Sintijob em Limeira, Carlos Solano, é acusado pelos adversários de forjar uma assembleia para fundar a entidade "fantasma". A edição de maio do jornal do Sintrajoias comemora a decisão judicial que barrou o registro concedido pelo Ministério do Trabalho no dia 12 de março a outro sindicato. "Acabou a farsa sindical montada em Limeira pelo Solano "Zé Tapioca" e a corriola de sindicalistas que há muito tempo comem na mão dos patrões, enriquecem ilicitamente e usam de maneira fraudulenta as contribuições da categoria", diz o Sintrajoias. Solano nega tudo. "Nós fizemos a assembleia de desmembramento. Esse outro sindicato não dava atenção aos trabalhadores em Limeira. Os funcionários que pediram para abrirmos a nova entidade."

 

A proliferação de sindicatos decorre, segundo dirigentes das entidades, da aplicação da portaria 186, editada pelo governo em 2008. A medida, alegam, simplificou a abertura de sindicatos e novas federações e confederações, ferindo a unicidade sindical exigida pela Constituição.

 

Partilha do bolo

 

Imposto Sindical

É um montante de quase R$ 2 bilhões formado pelo desconto de um dia de trabalho por ano de toda pessoa que tem carteira assinada

 

Sem controle

Lula vetou o artigo 6º da Lei 11.648, que regulamentou as centrais sindicais. O texto previa a prestação de contas ao TCU do uso do imposto sindical

 

No ano passado

De acordo com informações do Ministério do Trabalho, a CUT foi a central sindical que recebeu a maior fatia no ano passado - R$ 26,7 milhões

 

Contestação

Por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade, o DEM contesta a divisão do bolo com as centrais. O julgamento está empatado em 3 a 3

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