Dida Sampaio/Estadão - 08.12.2014
Dida Sampaio/Estadão - 08.12.2014

Dirigente tenta apaziguar PT após perda de ministérios

Cúpula do partido agora cobrar maior espaço na montagem do segundo escalão

VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO E RAFAEL MORAES MOURA, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2015 | 02h02

BRASÍLIA - A cúpula do PT decidiu cobrar maior espaço na montagem do segundo escalão. Nos últimos dois dias, o presidente do PT, Rui Falcão, conversou sobre o assunto com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e com o chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, no Palácio do Planalto.

Na composição da equipe, o PT perdeu ministérios importantes, como Fazenda e Educação, e ficou com 13 pastas. No primeiro mandato da presidente Dilma, comandava 17.

Falcão agora tenta apaziguar a corrente Construindo um Novo Brasil, majoritária no partido, depois que a tendência Democracia Socialista, integrada por Vargas e Miguel Rossetto, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, tirou o grupo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da articulação política.

"Esse é um Ministério com a cara do PT, como todos os anteriores, embora o governo seja de coalizão. Não há essa oposição Dilma versus Lula, Dilma versus PT, Lula versus PT", disse Falcão, após conversar ontem durante duas horas com Vargas. "Também não há desconforto com a escolha do ministro Pepe Vargas. Nós não achamos que o Ministério é montado de acordo com as tendências políticas do PT."

Na tentativa de amenizar a insatisfação no partido, Falcão começou a avaliar com os ministros do PT quais são os principais cargos nos Estados em empresas estatais. Em conversas reservadas, deputados e senadores petistas reclamam da pressão exercida pelo PMDB sobre o governo e das ameaças feitas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).

Na semana passada, Renan avisou a Mercadante que o partido adotaria posição de independência em relação a Dilma - principalmente em relação a projetos cruciais para o Planalto, como aumento de impostos - se os cargos de sua "cota", como Turismo, fossem retirados. Renan também espera "compensações" pelos ministérios recebidos pelo PMDB.

Ministros e dirigentes do PT dizem que o PMDB está bem contemplado na equipe de Dilma, com seis pastas (Minas e Energia, Agricultura, Portos, Aviação Civil, Turismo e Pesca).

Os petistas não abrem mão da presidência do Banco do Nordeste e estão de olho na Eletronorte, há tempos sob a influência do PMDB.

Questionado ontem se o PT não estaria virando um novo PMDB, com várias correntes internas disputando espaço e poder, Falcão rejeitou a comparação. "Não vejo similitude entre os dois partidos. O que acho é que as pessoas têm o direito de ter suas preferências e opiniões", afirmou ele. "O PT é um partido plural."

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