Dirigente regional do MST é assassinado no interior de Minas

Silvino Nunes Gouveia foi morto em assentamento na cidade de Periquito; conforme familiares, vítima recebia ameaças

José Maria Tomazela , O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2017 | 23h46

SOROCABA - Um militante do Movimento dos Sem-Terra (MST) foi assassinado com dez tiros, na noite deste domingo, 23, na zona rural de Periquito, município do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. O agricultor Silvino Nunes Gouveia, de 51 anos, estava em sua casa, no Assentamento Liberdade, quando foi chamado e saiu à porta com uma lanterna, recebendo os disparos. Os atiradores fugiram em um carro. Ele era dirigente regional do MST. 

Até a noite deste segunda-feira, 24, nenhum suspeito havia sido preso. A Polícia Civil de Periquito informou que já investiga o crime.

O corpo de Gouveia foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML) de Governador Valadares, município da região. A polícia apreendeu uma garrucha e munições na casa da vítima. Conforme familiares, Gouveia tinha recebido ameaças por sua atuação na luta pela terra. 

Protesto. De manhã, assentados atearam fogo em pneus e interditaram os dois sentidos da BR-381, que liga Periquito a Governador Valadares, para protestar contra a morte do agricultor. A via foi liberada após negociação com a Polícia Rodoviária Federal.

O assassinato aconteceu três dias após a chacina de nove trabalhadores rurais ligados ao MST, na Gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza (MT). Em nota, o movimento disse que os conflitos pela terra se intensificaram no Vale do Rio Doce por falta de medidas que agilizem o assentamento de 1.200 famílias acampadas na região e cobrou a apuração do assassinato e a prisão dos envolvidos. 

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), órgão ligado à Igreja Católica, em 2016, os conflitos agrários causaram a morte de 61 pessoas no País.

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