Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Dirigente do Aliança critica ato antidemocrático e rejeita movimento contra Maia

Principal operador do partido em gestação, Luís Felipe Belmonte afirma não querer 'julgar' Bolsonaro, mas diz que presidente 'perdeu muito apoio'

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 10h42

Com a coleta de assinaturas para a criação do Aliança pelo Brasil paralisada pelo coronavírus, o empresário Luís Felipe Belmonte, vice-presidente e principal operador do partido em gestação de Jair Bolsonaro, está em quarentena em seu "bunker" em Brasília, onde montou um estúdio e voltou a tocar guitarra.

Ao Estado, o dirigente classificou como "inadequado" o ato pró-intervenção militar em frente à sede do Exército no qual o presidente discursou e se mostrou contrário a aproximação dessa pauta ao movimento bolsonarista. "Não quero julgar o presidente. Não sei as razões dele, mas eu optei por não ir. Isso só alimenta os adversários. Achei inadequado esse movimento. Não concordo com isso (intervenção)", disse Belmonte. 

Belmonte também rejeita o movimento contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está sendo divulgado nas redes bolsonaristas nas redes sociais. "Eu acho essa história de 'fora fulano' ou 'fora sicrano' despropositada. Não defendo o fora ninguém, embora Maia tenha feito alguns atropelos."  

O empresário é cauteloso ao falar sobre Bolsonaro e faz questão o tempo todo de deixar claro que está ao lado dele, mas reconhece que a estratégia presidencial causa desgastes. Questionado se Bolsonaro está politicamente isolado, respondeu: "Eu não diria isolado, mas ele perdeu muito apoio".    

Aos 66 anos, o dirigente bolsonarista conquistou em pouco tempo a confiança do clã presidencial após voltar ao Brasil em janeiro de 2018 depois de um período sabático na Inglaterra. Antes de assumir a missão de criar o Aliança, Belmonte foi filiado ao PSDB e fez doações até para partidos de esquerda. A mulher do empresário, Paula Belmonte, foi eleita deputada federal em 2018 pelo Cidadania.

O dirigente contou que tem sido procurado por grupos de direita e que parte deles prega a intervenção militar constitucional com base no artigo 142 da Constituição. "Essa conversa de intervenção militar é bobagem. Existe uma previsão legal. O artigo 142 disciplina a atuação das Forças Armadas e prevê que elas podem ser chamadas por qualquer um dos três Poderes para a garantia da lei e da ordem. A única previsão de intervenção é no caso de se instalar o caos completo, uma avalanche de crimes, crises, assaltos, o que não está acontecendo", afirmou. 

Sobre a criação do Aliança, o empresário afirmou que já conta com mais de 1 milhão de assinaturas, as fichas aguardam a reabertura da Justiça Eleitoral. Enquanto isso, o Aliança segue paralisado, sem nenhum tipo de atividade política ou vida orgânica.  

Na linha bolsonarista, Belmonte também crítica o governador João Doria (PSDB), que segundo ele se mostra "um fracasso da história" e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "A OAB virou um partido político e usada com um desvio de finalidade flagrante", afirmou. 

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