Diretório nacional do PT deve manter expulsão de Moura

"Internamente no PT não tem mais campo para ele", declarou Emídio de Souza

CARLA ARAÚJO, Estadão Conteúdo

01 de agosto de 2014 | 13h05

Após comunicar que o diretório do PT-SP confirmou a expulsão do deputado estadual Luiz Moura, o presidente estadual do partido, Emídio de Souza, afirmou que a sigla não vai retroceder na questão e que, caso o diretório nacional seja acionado por meio de recursos do deputado, a decisão deve ser mantida.

"O primeiro recurso que ele pode ir daqui para a frente, pois na estadual está esgotado, é ir para a nacional, mas como eu sempre consultei as instâncias superiores, acredito que não vamos ter problema nenhum", disse. E continuou: "O presidente Rui Falcão já me disse que a executiva também vai agir no mesmo sentido e com rapidez, assim que ele recorrer."

Emídio esclareceu que, enquanto os possíveis recursos não forem analisados, judicialmente a decisão em relação a expulsão fica suspensa, ou seja, o deputado segue filiado. "Mas internamente no PT não tem mais campo para ele" reforçou.

Segundo o dirigente petista, o arcabouço legal brasileiro permite uma série de recursos e caberá à Justiça decidir. "Se ele recorrer, a justiça é quem vai ter que se pronunciar. No que depender do PT, ele não é mais filiado. Ele não tem mais direito a nada dentro do PT e não vai disputar a eleição", afirmou.

Emídio disse que o partido está disposto a ir "às últimas instâncias" para impedir a candidatura de Moura e afirmou que "não acha que cabe à Justiça interferir dessa maneira nos partidos".

Apesar da votação expressiva que o deputado teve nos pleitos passados, Emídio afirmou que isso não preocupa o partido. "Pode ter a votação que for, nós não trocamos voto por ética", disse.

Em reunião com a participação de 41 membros do diretório estadual, a expulsão foi aprovada por unanimidade. No encontro, havia inclusive membros da corrente partidária que Moura, PTLM (Partido dos Trabalhadores de Lutas e Massas). Apesar disso, Emídio garantiu que não houve nenhuma intervenção em defesa do deputado.

Emídio reforçou que Moura teve "o mais amplo direito à defesa". "Ele que não quis exercer (direito de defesa) e, ao contrário, afrontou o PT levando a disputa para os tribunais", disse. Emídio afirmou ainda que o processo de expulsão foi transitado corretamente, "de acordo com o regimento do PT".

Moura é suspeito de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao tomar conhecimento da decisão da comissão executiva estadual, que indicou a expulsão ratificada nesta sexta-feira, 01, pelo diretório, Moura afirmou que vai recorrer da decisão com uma arguição de suspeição contra a comissão e diz que ela não tem "moral" para julgá-lo.

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