Diretório do PT de MG aprova aliança com PSDB

Petistas acreditam que aprovação é 'meio caminho andado' para derrubar veto da Executiva Nacional

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 18h56

Por pequena margem de votos, o diretório estadual do PT aprovou nesta quinta-feira, 15, a tese de aliança entre petistas e tucanos defendida pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o governador de Minas, Aécio Neves(PSDB), para a sucessão na capital. Em Brasília, representantes da cúpula petista observaram que a aprovação da aliança pelo diretório estadual é "meio caminho andado" para a derrubada do veto ao acordo com o PSDB imposto pela Executiva Nacional. O diretório nacional irá se reunir no próximo dia 26 para tomar uma decisão final. O presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes, destacou que a decisão do diretório estadual terá "um peso político forte" na posição a ser tomada pela instância superior. "Mas a decisão nacional é soberana", ressaltou. Pimentel comemorou a decisão e demonstrou confiança na vitória da tese da "grande aliança" ao afirmar que não pretende empreender mais esforços para convencer os representantes do diretório nacional. "Não estou muito preocupado com essa questão", disse. "Está claro para todos os companheiros do PT qual a vontade majoritária."  O placar da votação, porém, mostra que o PT mineiro saiu dividido da discussão em relação à polêmica aliança, que prevê como cabeça de chapa o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio de Araújo Lacerda (PSB), e o deputado estadual Roberto Carvalho (PT) como candidato a vice. Foram 29 votos a favor, 26 contra e três abstenções.  "Isso significa que tem uma divisão em relação à participação do PSDB na chapa", atestou Lopes, que, no entanto, pregou que o partido sairá fortalecido do "grande debate". O prefeito minimizou: "Nós temos uma decisão majoritária.".A reunião durou duas horas e foi realizada a portas fechadas. As resistências à união com os tucanos partiam da esquerda do partido e dos representantes do grupo ligado ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias - que vê no acordo um obstáculo às suas pretensões de concorrer ao Palácio da Liberdade em 2010. Pimentel tem a mesma pretensão e trabalha para ter o apoio de Aécio.  A Executiva Municipal do PT havia aprovado no sábado uma resolução incluindo formalmente o PSDB na aliança com o PSB. O documento aprovado incluiu também o PPS no acordo. O texto fez questão de ressaltar a aprovação de "uma aliança estritamente municipal para as eleições de 2008", como forma de criar um ambiente de entendimento, já que o argumento da Executiva Nacional era que a costura favorecia Aécio, potencial candidato à presidência em 2010.  Após o veto, Pimentel partiu para o confronto com a cúpula petista, mas aos poucos foi moderando o discurso e ganhou o apoio público do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que declarou não ver obstáculo ao acordo. No início da semana, Aécio tratou do assunto com o presidente, em Brasília. O governador tucano deixou o Palácio do Planalto afirmando que Lula classificou a aliança como "natural".  

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