Diretorias da Petrobrás viram alvo

Partidos da base disputam 3 cargos na barganha pela aprovação da CPMF

Nicola Pamplona e Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 00h00

Três cargos da diretoria da Petrobrás estão em disputa pelo PT e pela base aliada dentro do processo de barganha pela aprovação da prorrogação da CPMF no Congresso. As Diretorias de Abastecimento (hoje nas mãos do PP), de Exploração e Produção e Internacional (ambas do PT) são objeto de cobiça dos partidos governistas. Um líder petista, porém, acredita que não haverá novas mudanças na estatal antes da última votação no Congresso. Até agora, o governo promoveu duas alterações na empresa, acomodando o ex-senador José Eduardo Dutra na presidência da BR Distribuidora e Maria das Graças Foster, ligada à ministra Dilma Rousseff, na Diretoria de Gás e Energia da Petrobrás. As mudanças envolveram apenas cargos ligados ao PT e geraram inquietações na base aliada, que quer apressar a nomeação de outros diretores.A principal disputa refere-se à Diretoria de Abastecimento, cobiçada pelo PP, que pretender manter Paulo Roberto Costa no cargo, e pelo ministro Walfrido Mares Guia, que tenta emplacar o nome de Alan Kardec, hoje assessor do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.Já o senador Delcídio Amaral (PT-MS) estaria trabalhando para manter Nestor Cerveró na Diretoria Internacional - ainda não surgiram outros nomes para disputar a vaga.O governo já avaliou a hipótese de deslocar Costa para a Diretoria de Exploração e Produção, abrindo vaga para Kardec, mas a idéia não teria agradado a lideranças do PP. A área responsável pela principal atividade da companhia é dirigida hoje por Guilherme Estrella, geólogo aposentado da Petrobrás que tem apoio de movimentos sindicais. MERCADOAs mudanças provocadas até agora não motivaram reação do mercado financeiro, normalmente avesso à apropriação política do comando da empresa. O consenso entre analistas de bancos é que ainda não houve grandes novidades no processo. Especialistas em energia, porém, esperam uma atuação mais agressiva da área de gás da estatal após a nomeação de Graça, mais alinhada às políticas propostas por Dilma do que Ildo Sauer, seu antecessor, que saiu criticando o modelo do setor elétrico elaborado pela ministra.O objetivo da mudança, segundo uma fonte do PT, foi garantir que a estatal tenha gás suficiente para manter as usinas térmicas em funcionamento na virada da década, período considerado crítico. Em discurso na festa de despedida de Sauer, na segunda-feira, Gabrielli disse, porém, que não haverá mudança de rumo com a troca. O executivo foi cumprimentar Sauer após a cerimônia de posse de Dutra e elogiou a atuação do ex-diretor.Gabrielli, que tentou manter Sauer no cargo até a véspera da mudança, reconheceu que sua saída se deveu à "conjuntura política".Especialistas temem, porém, que tal conjuntura leve o governo a indicar nomes sem qualificação técnica para a diretoria da empresa. "A Petrobrás é a maior empresa brasileira e, portanto, deve ser tratada como tal e não ter seus cargos distribuídos em troca de acordos políticos ou por amizades", defendeu o professor da UFRJ Adriano Pires.Embora a direção atual tenha sido composta em negociações em Brasília, todos os diretores são funcionários de carreira da companhia.

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