Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Diretoria renuncia e faz Dilma acelerar busca por novo comando da Petrobrás

Horas depois de a presidente acertar cronograma com Graça Foster, dirigentes da petrolífera se recusam a aceitar plano e deixam cargos após questionamento da CVM sobre a sucessão na empresa

MARCELO DE MORAES, VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO, IRANY TEREZA e RICARDO DELLA COLETTA, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 15h39

Brasília - Horas depois de a presidente Dilma Rousseff acertar um acordo com Graça Foster para trocar o comando da Petrobrás após a aprovação do valor perdido por desvios na estatal, cinco diretores da empresa rejeitaram o cronograma e apresentaram um pedido de renúncia coletiva. A decisão foi acompanhada pela presidente da companhia e surpreendeu Dilma, que agora tem até amanhã para definir uma nova diretoria.

O movimento da cúpula da estatal armou uma bomba-relógio para o Palácio do Planalto. Na lista dos mais cotados para o posto despontam o presidente da Vale, Murilo Ferreira, e o ex-presidente da BR Distribuidora Rodolfo Landim. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta emplacar o amigo Henrique Meirelles, que comandou o Banco Central em seu governo. 

Dilma ficou contrariada com o desfecho da negociação para a mudança de comando na Petrobrás porque tinha acertado com Graça anteontem, em reunião no Planalto, que toda a diretoria da empresa seria substituída assim que fosse resolvido o impasse contábil. O problema ocorre porque a auditoria PriceWaterhouseCoopers se recusa a assinar o balanço relativo ao terceiro trimestre de 2014 enquanto a estatal não encontrar uma solução para contabilizar as perdas provocadas pela corrupção descoberta na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. 

Dificuldade. Na reunião, Dilma havia dito a Graça que precisava de mais tempo para mudar a diretoria, pois não estava fácil encontrar nomes do mercado dispostos a assumir a missão. 

À noite, quando Graça já estava no Rio, avisou à presidente que cinco diretores da empresa não aceitavam mais arcar com o desgaste da crise. Eles estavam preocupados com o pedido de explicações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a saída da presidente da estatal, que provocou a maior alta das ações da Petrobrás em 16 anos.

Sem novo acordo com o governo, Graça e os diretores da Petrobrás divulgaram ontem nota oficializando a renúncia. Eles permanecerão nos cargos até amanhã, quando ocorrerá a reunião do Conselho de Administração da Petrobrás que chancelará a nova diretoria. 

Cotados. Entre os cotados para o lugar de Graça, Murilo Ferreira desponta por atributos como o excelente relacionamento com o mercado financeiro e o desempenho à frente da Vale, além da simpatia da própria presidente Dilma Rousseff. O porém seria que sua escolha “vestiria um santo e desvestiria outro”.

Outro cotado, Rodolfo Landim, tem como desvantagem o fato de ter trabalhado com Eike Batista na OGX, ainda que tenha deixado o Grupo EBX antes de sua derrocada.

Contra Meirelles pesa a opinião pessoal de Dilma. Quando ministra da Casa Civil, a presidente teve uma série de divergências com o número 1 do Banco Central do governo Lula. A presidente também não vê com bons olhos o ex-presidente da Vale Roger Agnelli.

O governo abriu duas frentes na busca de uma solução para o comando da estatal. O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, coordena a busca de nomes para a presidência da empresa e Joaquim Levy, da Fazenda, tenta arregimentar diretores para o Conselho de Administração.

Levy também está empenhado em encontrar uma metodologia capaz de desatar o nó contábil sobre as perdas com a corrupção. 

 

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