Diretoria do PSDB mineiro assume com foco em Aécio

Liderança coloca como prioridades as eleições municipais de Belo Horizonte e a consolidação do senador e ex-governador de Minas como candidato a 2014

Marcelo Portela, de O Estado de S. Paulo

21 de março de 2011 | 22h47

BELO HORIZONTE - A nova diretoria do PSDB mineiro assumiu nesta segunda-feira, 21, durante convenção do partido, com prioridade nas eleições municipais de Belo Horizonte e no projeto de transformar o senador e ex-governador de Minas Aécio Neves o candidato da legenda à sucessão da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014. E não poupou críticas ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que anunciou a criação do Partido Social Democrático (PSD) com declarações de apoio simultâneo à presidente e ao governo do tucano Geraldo Alkmin em São Paulo, além do apoio a uma possível candidatura do ex-governador paulista José Serra (PSDB) em 2014.

 

Usando o tradicional ditado de que "mineiro come pelas beiradas", o novo presidente do diretório estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, declarou que as eleições presidenciais ainda não estão na pauta de discussão do partido, mas afirmou que a legenda tem "a semente para o futuro, que é o projeto de Minas" comandado pelo senador.

 

Pestana foi secretário de Saúde no governo Aécio e coordenador de campanha do senador. "O maior líder da oposição brasileira e o mais talentoso da nova geração de políticos é o Aécio Neves. Já é uma personalidade nacional", disse, evitando, no entanto, atritos com o tucanato paulista. "Minas precisa de São Paulo, São Paulo precisa de Minas e o Brasil é maior. A contradição que move o Brasil não é mineiros versus paulistas", ressaltou.

 

A candidatura de Aécio em 2014 é a principal bandeira defendida pelos tucanos que deixaram a executiva estadual da legenda. "Estou deixando a presidência, mas não a trincheira. Vou continuar sendo pau de bater em paulista", disparou o ex-presidente da legenda em Minas, o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Narcio Rodrigues. Ao chegar para a convenção na noite desta segunda, o próprio Aécio evitou o assunto, mas defendeu a "renovação de quadros e ideias".

 

Outra prioridade do partido é a eleição para a prefeitura de Belo Horizonte no ano que vem. Pestana adiantou que o partido vai priorizar os 50 maiores municípios mineiro, mas que "o foco principal é a capital", atualmente comandada por Marcio Lacerda (PSB). O socialista foi eleito em meio a uma aliança entre o ex-prefeito e atual ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT) e Aécio Neves.

 

Mas o PT vem perdendo espaço para o PSDB na administração da cidade e parte do tucanato mineiro defende uma aliança formal para a reeleição de Lacerda, com um vice do PSDB. Pestana não quis entrar em detalhes sobre uma possível coligação, mas Aécio avalia que o entendimento entre os dois partidos é mais provável porque o atual prefeito "tem uma similaridade, uma aproximação muito maior conosco". "Fizemos em 2008 uma aliança que foi boa para a cidade. Naquele momento, nos pareceu que esse era o melhor caminho. Estamos muito honrados com essa aliança", disse, salientando que as lideranças das legendas vão discutir a questão "no momento correto".

 

PSD. A iniciativa do prefeito Gilberto Kassab de criar o Partido Social Democrático não foi bem vista pelo tucanato mineiro. Mas nem foi tanto a afirmação de que a nova legenda estará à disposição da presidente Dilma. Na avaliação de Pestana, Kassab está interessado em "liberar o espaço" para a própria candidatura ao governo de São Paulo em 2014 e, para isso, precisa que o atual governador, Geraldo Alkmin (PSDB), desista de uma possível reeleição e busque, por exemplo, a candidatura à Presidência.

 

"O quadro partidário é instrumentalizado muito mais, às vezes, por projetos que são legítimos, mas não são projetos com referência na cidadania e na sociedade. Não é à toa que o Congresso está num esforço para fazer a reforma política. Partido é a expressão de uma corrente da sociedade com determinadas ideias. Um projeto de sociedade. Eu não sei qual o projeto de sociedade do Kassab", alfinetou o tucano. "Um partido político não se faz do dia para a noite. Logicamente ele (Kassab) deve ter, ou achar ter, as condições necessárias para construir esse projeto", acrescentou Aécio, para quem o prefeito de São Paulo tomou uma "decisão legítima".

 

 

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