Diretora flagrada em gravação acusa analista por parecer adulterado

Luiza Vianna anunciou a abertura de uma sindicância para identificar como a nota técnica original, contrária ao projeto, foi parar no processo; 'De jeito nenhum houve fraude', disse a servidora ao 'Estado'

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 21h11

BRASÍLIA - No papel de porta-voz do ministro Mário Negromonte, a diretora de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Luiza Vianna, anunciou a abertura de uma sindicância, não para apurar a fraude na aprovação do modelo de transporte público de Cuiabá, mas para identificar como a nota técnica original, contrária ao projeto, foi parar no processo.

O problema é que a assinatura da própria Luiza Vianna aparece com a expressão "de acordo" no verso desta nota. Nesta quinta-feira, 24, ela negou que tenha havido fraude no processo. "De jeito nenhum houve fraude", disse durante conversa com jornalistas. Segunda ela, o documento original que vetava a troca do BRT pelo VLT, R$ 700 milhões mais caro, foi apenas revisado. "A nota técnica foi revisada porque continha vícios de linguagem e de opinião pessoal", argumentou.

Ela apontou o analista técnico Higor Guerra como o responsável por quaisquer irregularidades no documento. Escorada no discurso de que a mudança foi pedida pelo governo de Mato Grosso, Luiza disse que "estudos técnicos" embasaram a decisão. Só não contou que a equipe técnica é contrária ao projeto.

A diretora reforçou "que, em nenhum momento, a correção do documento expressou a opinião daquela diretoria nem do Ministério das Cidades". Ela culpou o analista técnico Higor Guerra, que representava o Ministério das Cidades nas reuniões sobre projetos de Mobilidade Urbana em Cuiabá (MT), pelo teor do conteúdo do parecer que, posteriormente, foi alterado para justificar a troca.

"Houve uma quebra de confiança (com o Higor). Ele fez um papel que não é dele. Não é a primeira que o Higor tem pareceres revistos", acusou. Ela destacou que a mudança não traz ônus para o governo federal e que nenhum contrato ainda foi assinado. No entanto, omitiu que todo o dinheiro do projeto será bancado por um banco oficial, a Caixa Econômica Federal.

 

 

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