Diretora de escola diz que Maluf agiu de má fé durante visita

O candidato do PP à Prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf, visitou hoje uma escola de lata, em Parelheiros, zona sul da cidade. Maluf chegou de surpresa, acompanhado de sua equipe de televisão e da imprensa, que não pôde entrar nos módulos de aula por não haver solicitado autorização com antecedência, segundo a Secretaria Municipal de Educação. Já dentro de um dos pátios do local, depois de pedir autorização à Marta Fernandes Teixeira Gonçalves, diretora interina da diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Luiz Gonzaga do Nascimento, por meio de um interlocutor, o candidato foi recebido e conversou com alguns alunos. ?Ela me convidou para subir, mas disse que tinha medo de ser demitida, de receber uma retaliação. Eu disse que quando eu era prefeito, nunca proibi uma professora, um médico, de dar entrevista. Porque a senhora não pode? Ela respondeu que ligou para a subprefeitura, de lá ligaram para o gabinete da prefeita e se eu (a funcionária Marta) aparecer ou der entrevista, vou para o olho da rua?, afirmou Maluf, antes de deixar a escola. ?A verdade é que a imprensa foi proibida de registrar o estado sórdido e lastimável de uma escola.? Ele ainda criticou a merenda escolar, disse que a escola ?está toda enferrujada? e definiu o interior dos módulos como ?uma sauna? e disse que entrou numa das salas para cumprimentar as crianças. Contatada depois que a comitiva de Maluf deixou o local, Marta disse que Maluf ?aumentou ou inventou? suas declarações. ?São coisas que ele falou e disse que eu teria dito, como a informação de que eu estava sendo pressionada?, contou. ?Ele não entrou em sala de aula, cumprimentou algumas crianças no pátio, sem autorização. Ele é todo gentil, mas vai avançando, faz o que quer, chegou até o pátio. Ele está agindo de má fé, veio na nossa escola porque sabia que a construtora ainda não chegou aqui para construir a nova escola, mas já está tudo acertado.? Segundo ela, Maluf causou um ?transtorno desnecessário? às crianças. ?Ninguém avisou nada antes e esse procedimento é padrão. Sem autorização não entra durante o horário de aula.? Marta é diretora interina há cerca de 10 dias, mas é professora na escola desde 2002. A Emei atende cerca de 700 crianças de 4 a 6 anos, em três turnos, das 7 horas às 19h20. São 8 classes por período, com cerca de 30 crianças em cada classe. ?Nossa orientação de governo, válida para qualquer atividade não interna da escola, é permitir a entrada de pessoas somente após autorização e comunicação prévia. Se o Maluf tivesse avisado antes, poderia ter entrado sem nenhum problema?, afirmou Paulo César Deloroso, coordenador de Educação da Subprefeitura de Parelheiros. ?As regras são as mesmas do tempo em que ele era prefeito, sobre a entrada no equipamento público e para entrevistas. Aliás, ele devia saber disso. Devia saber também que o Estatuto da Criança e do Adolescente não permite a exploração da imagem das crianças.? Deloroso reconheceu que as condições de trabalho na escola de lata são ruins - sem proteção térmica ou acústica, mas garantiu que a Emei está bem conservada. ?O que existe são pontos de ferrugem na base dos módulos, mas a construção da nova escola começa nos próximos dias e será entregue até o fim do ano.? A prefeita Marta Suplicy (PT) tem prometido, desde o início da campanha eleitoral, desativar todas as escolas de lata até o fim do seu governo. ?Não haverá nenhuma escola de lata em funcionamento no início do ano letivo de 2005?, afirmou Marta, na semana passada, durante vistoria a duas escolas que estão sendo construídas para atender cerca de 2.000 alunos de unidades de lata na favela Paraisópolis, zona sul.

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