Diretor indicado pelo PT deve ser afastado do Dnit

Hideraldo Caron, que comanda a área de Infraestrutura Rodoviária, estaria negociando sua saída do órgão com o ministro dos Transportes

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2011 | 15h49

BRASÍLIA - Diante do surgimento de novas denúncias sobre operações com sinais de irregularidades realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, deve afastar também o diretor de Infraestrutura Rodoviária do órgão, Hideraldo Luiz Caron, indicado para o cargo pelo PT. Este será o sétimo integrante da área de Transportes a cair desde o final de semana passada, quando surgiram as primeiras denúncias.

 

Segundo fontes do governo, na manhã desta segunda-feira, 18, o ministro dos Transportes telefonou para Hideraldo Caron comunicando a decisão de afastá-lo. Estariam sendo negociadas a forma como isso se daria. Ou seja, os dois estariam decidindo como e quando anunciar. Hideraldo não aceita sair com sugestões de que estaria sendo afastado sob suspeição.

 

A decisão da saída de Caron já havia sido desenhada com o Planalto na sexta-feira, 15, e era esperada para o fim de semana, mas ele sobreviveu às notícias das revistas e jornais de domingo, 17. Neste acerto com o Planalto, além de Hideraldo Caron, também estaria na mira para deixar o cargo a qualquer momento Felipe Sanches, que ocupa interinamente a presidência da Valec e que entrou no lugar de José Francisco das Neves, afastado na primeira leva.

 

A determinação da presidente Dilma Rousseff ao ministro Paulo Sérgio Passos foi de que ele faça "um limpa" nos órgãos vinculados ao Ministério dos Transportes. A saída de Caron já estava sendo articulada porque o governo entendia que era preciso "fazer um gesto" para os aliados, que viam em Caron o "fogo amigo" atacando os demais integrantes do Transportes e se preservando. Com o afastamento de Caron, o governo daria demonstração de que está cortando "na própria carne".

 

No fim de semana, no entanto, o governo não viu problemas nas publicações contra o atual ministro, Paulo Sérgio Passos, de que ele teria liberado um total de R$ 78 milhões em créditos suplementares para três grandes obras que constavam da lista de irregularidades do Tribunal de Contas da União (TCU). Desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio vem travando uma queda de braço com o TCU, que discorda do método usado pelo órgão de fiscalização para pedir a paralisação de obras. O governo entendeu que as explicações dele, na entrevista dada sábado, 16, foram suficientes.

 

Na sexta-feira, quando manteve a segunda reunião do dia com a presidente Dilma Rousseff, no Planalto, Paulo Sérgio Passos, já ciente das novas denúncias, agora contra Caron, teria acertado o afastamento de Hideraldo Caron. Na conversa, já ficou sinalizado também o afastamento do presidente da Valec. A presidente está "insatisfeita" e "incomodada" com o volume de denúncias contra a área de Transportes e determinou a Paulo Sérgio que aja imediatamente, sem ficar contemporizando. A presidente afirma que não quer execrar ninguém e que é preciso agir com equilíbrio, para que não sejam cometidas injustiças, mas ela também não está aguentando mais tantas denúncias e suspeições em um único setor do governo e quer que providências sejam tomadas o mais rápido possível para sanear os Transportes e estancar a crise que, por enquanto, parece não ter fim.

 

Dilma não pretende escolher pessoalmente os nomes dos substitutos dos afastados, seja no Dnit, seja na Valec, ou no próprio Ministério dos Transportes. Mas "quer ver melhor o currículo" de cada um dos novos escolhidos e exigir que seja "colocada uma lupa" em relação ao passado ou problemas que eles já tenham enfrentado, para não ser surpreendida neste processo de profilaxia do setor.

 

A saída de Caron faz parte da estratégia do governo de limpar todo o Dnit que, entende, está contaminado. As últimas denúncias contra o petista, que controla quase 90% dos recursos do departamento, e a forma colegiada de decisão do órgão, que inclui, no mínimo, a anuência de Caron na forma de administração do Dnit, podem custar a cabeça do diretor petista. A presidente sabe que enfrentará resistências dentro do PT, mas está convencida de que é preciso mostrar que cortará na própria carne e que ele não será poupado por ser do PT. De acordo com um interlocutor da presidente, neste momento, há necessidade deste gesto.

 

Quanto a Luiz Antonio Pagot, afastado da presidência do DNIT pela presidente, mas que no momento está em gozo de férias, a determinação de Dilma é de não reconduzi-lo ao posto, apesar de saber das pressões que existem para o seu retorno, inclusive internamente, no Planalto. Pagot avisa que pode até sair do Dnit, mas que quer sair com sua moral abalada. A presidente Dilma, no entanto, não tem nenhum plano de agir para reabilitá-lo.

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